O day after nas redes e nos jornais
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O day after nas redes e nos jornais

O mundo saberá quem vai presidir o Brasil por volta das 21 horas de domingo. Mesmo assim, as análises ex post facto (feitas depois que os fatos aconteceram) vão ser bem conflitantes.

Redação

25 Outubro 2014 | 08h38

Por Eduardo Muylaert*

O mundo saberá quem vai presidir o Brasil por volta das 21 horas de domingo.  Mesmo assim, as análises ex post facto (feitas depois que os fatos aconteceram) vão ser bem conflitantes.

O que veremos de imediato nas redes e nos jornais do dia seguinte? A capa grita AÉCIO ELEITO, em cima de uma foto do candidato exultante e cercado de correligionários. Logo abaixo, as matérias imprescindíveis: o efeito do último debate, o erro dos institutos de pesquisas, a alta da bolsa e a queda do dólar, o que Armínio fará na economia, os outros possíveis ministros, as adesões de primeira hora, a nova posição do PMDB.

Ao lado, na mesa, outro matutino: DILMA REELEITA. Abaixo, a foto da presidente sorridente, de vermelho, e as matérias inevitáveis: a desconstrução do outro candidato, de onde vieram os votos, quem vai dirigir a economia, com quem fica a Casa Civil, os ministros que saem – Cultura, por exemplo – e os que ficam, a reação do mercado, a alta do dólar, a queda da bolsa, as reações internacionais, a velha posição do PMDB.


Embora as pesquisas de última hora indiquem vantagem para Dilma, os editores tem que estar preparados para tudo. Afinal, segundo alguns trackings que circulam, as coisas não são bem assim. E a estrutura dos jornais de segunda tem que estar pronta, nas duas versões, para o que der e vier.

Hoje, com a velocidade da apuração e da informação, não é preciso apostar, mas é necessário estar preparado. Houve um tempo em que uma manchete errada era o pesadelo do jornalista ou do blogueiro. DEWEY DERROTA TRUMAN, as letras garrafais do Chicago Tribune, que precisou ser recolhido, foram desmentidas pelos resultados da eleição presidencial americana de 1948 e se tornaram uma lição definitiva.

CULPADO, gritava o novo portal PATHFINDER, em 1995. Era o começo da internet e, em 5 minutos, surgiu NÃO CULPADO, o verdadeiro resultado do julgamento de O.J. Simpson, acusado de homicídio. Uma rádio brasileira chegou a anunciar, erroneamente, a morte de um Papa que estava apenas doente. São episódios até hoje lembrados com galhofa, de um lado, e vergonha, de outro.

As redes de televisão estarão com todos os seus analistas a postos. Durante o dia, a cobertura morna, quem foi votar, onde, o dia dos candidatos, algumas ocorrências de briga, embriaguez ou boca de urna, algumas queixas, quantos terminais de votação quebraram e foram substituídos. Encerrado o horário de votação na Região Norte, às 20 horas, intenso nervosismo com as primeiras bocas de urnas e as primeiras análises. Se os resultados forem apertados, o suspense continua até a apuração do último voto.

E as redes? Durante todo o domingo, milhares de versões, boatos, provocações, pois a internet, bem ou mal, escapa ao controle rígido que a imprensa sofre no dia D. A partir do resultado, luto e silêncio de um lado, festim diabólico do outro, explicando que o bem venceu e o mal foi derrotado, que a verdade sempre vence, que o povo sabe escolher, que a imprensa é vendida, que os institutos são mercenários, que o País vai mudar, que agora é que são elas etc. etc. etc.

 

*Eduardo Muylaert é professor associado da FGV Direito Rio.

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