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Nestas eleições, o que ninguém põe em questão é: como é possível um debate mais aprofundado, no qual concepções densas sobre o Brasil podem ser feitas, nos moldes propostos pelas TVs e pelas redes sociais?

Redação

25 Outubro 2014 | 13h47

Por Fernando Fontainha*

Nestas eleições, o que ninguém põe em questão é: como é possível um debate mais aprofundado, no qual concepções densas sobre o Brasil podem ser feitas, nos moldes propostos pelas TVs e pelas redes sociais?

Os canais de TV aberta concebem um debate político que é uma alternância rápida de turnos de fala de no máximo três minutos cada. As redes sociais propõem uma interface estruturada na forma de timeline, uma lista cronológica de brevíssimas postagens, na maioria das vezes com pouco texto e recursos audiovisuais.

O debate foi ao topo dos treding topics do Twitter… mundial! A rede social chegou a sair do ar. Teria sido por isso?

Parece ou não um verdadeiro espetáculo? Como, nessas condições, se pode esperar um debate qualificado? Como montar uma arena, fornecer as armas, jogar a carniça, e não esperar que candidatos e internautas se engalfinhem?

Se um dos objetivos do debate foi esclarecer os indecisos, os mostrados na TV, ainda que por nervosismo, expressaram tudo menos a espontaneidade da dúvida sincera. Boas ou ruins, as perguntas lidas em um cartão não combinaram com a imagem do eleitor médio. Não é possível incrementar o debate político no Brasil sem questionar sua forma.

O circo eleitoral digital serviu a algum propósito, ou vai premiar apenas a melhor performance do candidato e seus marqueteiros? Domingo, teremos a decisão. O debate deve continuar. Sempre.

 

*Fernando Fontainha é professor da FGV Direito Rio.

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