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Guerra de tuitaços

Primeira guerra de tuitaços na história das eleições brasileiras anima a tarde de sexta-feira.

Redação

12 Setembro 2014 | 19h38

Por Pedro Nicoletti Mizukami e Luiz Fernando Moncau*

O pastor Silas Malafaia convidou ontem seus seguidores de Twitter para um grande tuitaço, agendado para as 12h de hoje. Bombasticamente anunciado, o tuitaço seria de uma “verdade absoluta”, com dois posts “indefensáveis” (sic). Pela manhã, Malafaia revelou as mensagens: a primeira acusa o governo Dilma de financiar o ativismo gay, que estaria planejando acabar com a comemoração do Dia dos Pais e do Dia das Mães nas escolas; a segunda garante que a ação já estaria acontecendo em várias escolas, fundada em uma ideologia que busca “desconstruir a heteronormatividade”. O pastor não esclareceu qual seria a hashtag — algo esperado em tuitaços.

Momentos antes do horário agendado, a página oficial da presidente Dilma no Facebook disparou a seguinte mensagem:


“TODOS COM DILMA
Atenção, militância: às 12h, simpatizantes de Silas Malafaia farão um tuitaço contra Dilma.
Vamos todos para o Twitter mostrar que o País não aceita o discurso do ódio, da homofobia e da ignorância.
A hashtag contra é #MenosÓdioMalafaia”

Acompanhando a mensangem, uma foto com a hashtag #MenosÓdioMalafaia e os dizeres “participe agora 12h do contra-tuitaço”.

Malafaia não levou na esportiva. Tem publicado quase incessantemente, desde então, tuítes acusando o PT de se esconder por trás da causa gay e de roubar os cofres públicos. Propôs uma nova hashtag: #roubalheiraePTtudoaver, numa espécie de contratuitaço do contratuitaço.

Resultado: de acordo com o Topsy, até as 19h, a hashtag #MenosOdioMalafaia contava com cerca de 73500 tuítes, contra 7100 de #roubalheiraePTtudoaver. O tuitaço de Dilma entrou na lista de trending topics. Derrotado, Malafaia agendou um novo tuitaço para amanhã às 14h. Agora “para arrebentar”, garante.

É a primeira guerra de tuitaços na história das eleições no Brasil.

Em alguns casos, o debate parece fugir aos limites do razoável. O tom das mensagens cresce em agressividade e preconceitos do todo tipo são revelados. Deveria a lei intervir para restaurar a normalidade e civilidade do debate? Ou a discussão que se instalou sobre preconceito e corrupção, ainda mais em período eleitoral, deveria ser considerada mais importante e produtiva para o futuro da nação e, portanto, protegida pelo direito à liberdade de expressão?

O certo é que punir a todos os excessos é impossível sem a atuação policialesca das autoridades sobre o debate. Neste caso, talvez seja melhor tolerar os excessos, em nome de um debate mais amplo e robusto sobre questões cruciais para esta eleição. Os excessos não seriam julgados nos tribunais, mas pelos cidadãos. Afinal, é somente diante de uma opinão que repudiamos que podemos reafirmar nossa posição.

*Pesquisadores do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio

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