Boca de urna virtual
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Boca de urna virtual

Nas próximas horas, os candidatos viverão seu maior desafio: fazer chegar aos eleitores as “colas” eleitorais, ou santinhos, como são mais conhecidas. Como garantir que as pessoas tenham consigo os números dos escolhidos se a lei proíbe qualquer propaganda política no rádio ou na televisão desde 48 horas antes da eleição?

Redação

04 Outubro 2014 | 14h13

Por Michael Freitas Mohallem*

Nas próximas horas, os candidatos viverão seu maior desafio: fazer chegar aos eleitores as “colas” eleitorais, ou santinhos, como são mais conhecidas. As equipes de campanha sabem a importância que tem o santinho e investem bastante para que um potencial eleitor não deixe de votar em quem havia escolhido apenas por não ter memorizado o bendito – e essencial – número do candidato.

Mas como garantir que as pessoas tenham consigo os números dos escolhidos se a lei proíbe qualquer propaganda política no rádio ou na televisão desde 48 horas antes da eleição? Se até mesmo jornais e revistas não podem veicular propaganda política depois da antevéspera das eleições, o que pode fazer o eleitor? Memorizar com antecedência? Complicado. Nas eleições de 2014 serão 5 votos diferentes, com 16 números possíveis.

Para remediar o problema, a Justiça Eleitoral lançou a campanha “vem com a cola que é mais fácil” e até criou um simulador de voto, mas persiste o dilema: segundo pesquisa, os eleitores se decidem, especialmente sobre os candidatos proporcionais, no dia da votação ou pouco antes, quando já há restrição de comunicação eleitoral.

Pois na reta final das campanhas, a internet é a grande arena. Na rede, as restrições são poucas e a criatividade é uma aliada. Só não se pode fazer propaganda paga ou em sites que não sejam dos candidatos e seus partidos, registrados no Brasil. É possível mandar e-mails, postar em redes sociais ou subir vídeos até o último momento.

Mas não são apenas os candidatos concentram esforços na reta final. As redes sociais se enchem de mensagens de declaração de voto, de sugestões e justificativas. Modelos diversos de santinhos circulam entre amigos e famílias. Aparecem até chapas híbridas, impensáveis na propaganda oficial. E esses são os grandes influenciadores do voto, que chegam de remetente confiável, bem no momento em que a tomada de decisão está para acontecer.

Entre o silêncio da TV e a hora da urna, as campanhas seguem vivas nas redes. Resta aos candidatos e eleitores fazerem bom uso deste que é o horário nobre do processo de decisão do voto.

 

*Michael Freitas Mohallem é professor da FGV Direito Rio.

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