Tribunal italiano julga militares brasileiros da Operação Condor

Leonel Rocha

29 Novembro 2017 | 09h26

 

O principal tribunal de Roma começa a julgar nesta quara-feira os coronéis brasileiros  João Osvaldo Job, Carlos Alberto Ponzi e Átila Rohrsetzer, todos da reserva, e o delegado já falecido Marco Aurélio da Silva. Os três ocupavam postos de comando na secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul e nos órgãos de repressão federal (DOI e SNI) e são acusados pelo desaparecimento do ítalo-argentino Lorenzo Vinãs que estava na cidade de Uruguaiana (RS), em 1980, quando foi sequestrados por uma equipe da Operação Condor, a articulação das equipes de repressão politica conjunta do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Os três países eram governados por ditaduras militares.

O ativista brasileiro de direitos humanos, Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre, e a viúva de Vinãs, a argentina Cláudia Allegrini, estão em Roma para depor como testemunhas no tribunal. Os militares brasileiros estão sendo processados à revelia. A justiça romana aceitou a denuncia porque Vinãs, era cidadão italiano e Vinãs tinha sido preso em 1974 pela Operação Condor por sua militância no movimento guerrilheiro argentino Montoneros.