Situação de Janot pode ajudar Temer a enterrar denúncia na Câmara

Situação de Janot pode ajudar Temer a enterrar denúncia na Câmara

Luiza Pollo

12 Setembro 2017 | 05h30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

 

O relatório da Polícia Federal que investigou o PMDB na Câmara será usado por Rodrigo Janot na segunda denúncia contra Michel Temer. As investigações apontaram que Temer integrou organização criminosa voltada para obter propina em órgãos públicos. Os próprios investigadores avaliam, contudo, que, embora o relatório seja consistente, Janot está enfraquecido e qualquer denúncia apresentada por ele tende a ser rejeitada pela Câmara. Ninguém aposta que os deputados farão análise técnica do inquérito, que tem 494 páginas e fartura de provas.

Tá preparado? O ministro da Justiça, Torquato Jardim, foi avisado ontem pelo diretor-geral da PF, Leandro Daiello, da conclusão do inquérito que investigou o “quadrilhão do PMDB”.

Já foi. Como de praxe, quando envolve o presidente da República e o alto escalão, o ministro só é informado após o inquérito ter chegado ao Supremo.

Todos iguais. No Planalto, a acusação contra o presidente foi recebida como mais uma tentativa de “transformar políticos e partidos em organizações criminosas”, segundo definiu um interlocutor de Temer.

‘Nós não vai ser preso’. Apesar do novo capítulo da crise, o governo minimiza o risco de piora no clima político. A aposta continua sendo a de tentar retomar a reforma da Previdência assim que a reforma política for concluída.

Romperam. Eduardo Cunha já escreveu nova carta da prisão em Curitiba para rebater a delação do operador Lúcio Funaro, seu ex-melhor amigo.

Tenso. Mais do que o silêncio de Geddel Vieira Lima, o do irmão dele, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), que está solto, tem provocado inquietação no Planalto.

Fila. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Nelson Jobim prestam depoimento hoje, por videoconferência, à Justiça Federal em Brasília.

Conta tudo. Eles foram arrolados como testemunhas de defesa de Lula, acusado de tráfico de influência na compra de caças e edição de medidas provisórias.

Saidinha. Em prisão domiciliar, a doleira Nelma Kodama tentou conseguir convite para assistir à pré-estreia do filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos, no qual é retratada. Foi ignorada. Nelma processa os produtores do filme. Quer participação nos lucros.

Sonha alto. Aliados do ministro da Secretaria de Governo, Moreira Franco, dizem que ele pode disputar uma cadeira no Senado, em 2018. No PMDB, porém, há quem diga que ele pode ser candidato a vice-presidente da República. Se vencer, garante foro privilegiado. Ele foi acusado de envolvimento em esquema de corrupção, o que nega.

CLICK. No Vietnã, o chanceler Aloysio Nunes recebeu apoio do país à reforma do Conselho de Segurança da ONU e à entrada do Brasil como membro permanente.

Foto: Ministério das Relações Exteriores

Vem cá. O deputado Carlos Melles (DEM-MG) busca apoio para convidar Marcello Miller a se explicar na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. “Não é uma convocação, como em caso de CPI, mas será um constrangimento para ele negar comparecer”, avalia o líder do DEM, Efraim Filho (PB).

Cabeças-pretas. O deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE) deflagrou movimento em defesa da candidatura própria do PSDB ao governo de Pernambuco.

Divergência. É uma reação às costuras para que o PSDB integre chapa de apoio ao senador Fernando Bezerra (PMDB), ocupando uma vaga para o Senado na aliança.

Pronto, Falei!

“Enquanto enganava milhões de brasileiros e cometia crimes, ele não pensou em Deus”, do deputado Fernando Francischini sobre Joesley Batista ter aparecido com um terço pouco antes de sua prisão.