Prisão de Lula leva pânico a políticos investigados

Prisão de Lula leva pânico a políticos investigados

Coluna do Estadão

06 Abril 2018 | 05h30

FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A decisão do juiz Sérgio Moro de determinar a prisão a partir de hoje do ex-presidente Lula, somada ao resultado do julgamento do habeas corpus pelo Supremo, provocou pânico ontem entre políticos em Brasília. A avaliação é de que a Corte vai acelerar os processos contra quem tem prerrogativa de foro. Até agora, nenhum deputado, senador ou ministro alvo da Operação Lava Jato foi condenado. Há ainda os que são investigados em outros casos e estão pendurados em recursos como o de Lula. O raciocínio comum é: se Lula foi preso, quem escapa?

Desespero. Quem atua diretamente na Operação Lava Jato em Curitiba chamou de “miragem” o pedido de medida cautelar que o PEN apresentou no Supremo para que condenados em segunda instância só sejam presos após análise de recurso pelo STJ.

Ação e reação. O temor de que o ministro Marco Aurélio Mello concedesse a liminar, levantou suspeitas de que teria provocado a decisão do TRF-4 que deu ao juiz Sérgio Moro a chance de decretar a prisão do ex-presidente Lula antes da análise do último embargo.

Abriu precedente. Lula não é o único a obter do juiz Sérgio Moro prazo para se entregar à Polícia Federal espontaneamente antes de ser capturado.

Vai por mim. Antes do petista, o ex-vice-presidente da Engevix Gérson Almada entrou pela porta da frente da PF. Em comum, Almada e Lula foram condenados em 2.ª instância. O executivo, a 34 anos e 20 dias de prisão.

Os brutos também… O ministro Carlos Marun, da articulação política do governo Temer, admite ter sofrido um impacto com a notícia de que Lula será preso ainda hoje. “Pessoalmente é uma notícia que choca”, afirma. Ele é conhecido por seu estilo durão.

Tudo novo. Marun disse que, a partir da prisão, a Presidência vai avaliar o que deve ser feito com os oito assessores a que Lula tem direito, quatro deles são seguranças.

Novela. ACM Neto (DEM) ainda não anunciou se concorre ao governo da Bahia, mas já tem vice, o tucano João Gualberto. Para isso, o deputado iria para o PR. O demista anuncia sábado sua decisão. Jutahy Magalhães (PSDB) e José Ronaldo (DEM) seriam os candidatos ao senadores.

Estratégia. Após a decisão do Supremo negando seu pedido de HC, Lula pediu ao partido que lance o máximo de candidatos com viabilidade eleitoral para que o PT saia das urnas forte no Congresso.

Volta, querida. Lula quer que Dilma Rousseff dispute o Senado. Pesquisas internas do partido mostram que ela se sai bem em Minas, Ceará e Piauí. O governador Fernando Pimentel (MG) tem insistido nisso.

CLICK. O Partido dos Trabalhadores ensinou, pelo Twitter, como chegar à sede do Sindicato dos Metalúrgicos para que militantes fossem ao encontro de Lula.

Janeleiro. O MDB, que só tinha um deputado federal eleito por São Paulo, ganhou outros três na janela partidária. O líder na Câmara, Baleia Rossi (SP), convenceu Herculano Passos e Junji Abe, ambos ex-PSD, e Beto Mansur, ex-PRB, a ingressar no partido.

Grande família. O ministro Alexandre Baldy (Cidades) filiou sua mulher, Luana, e seu irmão, João Sant’Anna, ao PP. Se ele ficar no ministério, lançará um dos dois à cadeira de deputado federal.

SINAIS PARTICULARES. Alexandre Baldy, ministro das Cidades; por Kleber Sales

 

PRONTO, FALEI! 

Foto: Alex Silva/Estadão

“Concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à PF em Curitiba até as 17h”, DO JUIZ DA OPERAÇÃO LAVA JATO, SÉRGIO MORO, no despacho para Lula.

COM NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA E JULIA LINDNER

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