Planalto tenta desmontar delação de Claudio Melo com registros do TSE

Planalto tenta desmontar delação de Claudio Melo com registros do TSE

Vera Rosa

14 Dezembro 2016 | 16h24

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O Diretório Nacional do PMDB recebeu três doações seguidas da Construtora Norberto Odebrecht, em setembro e outubro de 2014, que totalizam R$ 11,3 milhões. De posse desses registros, que constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), auxiliares do presidente Michel Temer tentam desmontar a delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, à força-tarefa da Lava Jato.

Melo Filho disse aos procuradores que Temer pediu diretamente ao então presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, “apoio financeiro” para as campanhas eleitorais do PMDB, em 2014. O ex-executivo contou que Marcelo decidiu doar R$ 10 milhões após um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com Temer e com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O delator entregou aos procuradores cópia de e-mails em que Marcelo trata dos pagamentos a “MT”, numa referência a Michel Temer, que à época era vice-presidente da República e comandava o PMDB. Assessores de Temer observaram que, logo após um dos últimos e-mails apresentados por Melo Filho como prova da negociação para a entrega do dinheiro, houve repasses da construtora para o Diretório Nacional do PMDB.

O primeiro depósito da Odebrecht para o partido, nesse período, foi feito em 5 de setembro de 2014, no valor de 1.500.000,00; o segundo, em 12 de setembro, somando R$ 5.800.000,00 e o terceiro, em 23 de outubro, de R$ 4.000.000,00. Os três repasses, realizados por meio de transferência eletrônica, somaram R$ 11.300.000,00.

Embora a quantia seja maior do que os R$ 10 milhões citados por Melo Filho, auxiliares de Temer sustentam que se trata da mesma doação mencionada por ele e fazem questão de lembrar que tudo está “registrado” no TSE.

Em uma das mensagens trocadas com Melo Filho, Marcelo disse que “depois de muito choro” não teve como deixar de atender o pedido de Temer. Pediu ao subordinado, porém, para avisar “MT” (Michel Temer) que esta seria a única conta a pagar ao time dele.

Segundo o delator, uma das entregas do dinheiro foi feita no escritório de advocacia de José Yunes, o presidente do PMDB paulistano que nesta quarta-feira entregou o cargo de assessor especial da Presidência.

Melo Filho afirmou que, do total de R$ 10 milhões prometido por Marcelo, Padilha ficou responsável por receber 4 milhões. “Compreendi que os outros R$ 6 milhões, por decisão de Marcelo Odebrecht, seriam alocados para o Paulo Skaff, na época candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB”, declarou o ex-executivo à força-tarefa da Lava Jato.