Para parlamentares, PF deveria ter tomado o depoimento de Miller

Para parlamentares, PF deveria ter tomado o depoimento de Miller

Coluna do Estadão

10 Setembro 2017 | 05h30

Foto: Fabio Motta/Estadão

Causou estranheza entre parlamentares a decisão da Procuradoria Geral da República de não repassar para outro órgão a tomada de depoimento do ex-procurador Marcello Miller, suspeito de ter participado de irregularidades no acordo de delação de Joesley Batista. Miller prestou longo depoimento no Rio para um procurador regional indicado pela PGR, e teve sua prisão pedida por Rodrigo Janot. Mesmo assim, líderes governistas acham que o depoimento deveria ter sido delegado à Polícia Federal para evitar o risco de corporativismo.

 

Fim de festa. Durante almoço dos governistas ontem com o presidente Michel Temer, no Jaburu, o comportamento de Rodrigo Janot na reta final de seu mandato foi classificado como “errático”.

É pau… Janot é alvo de pelo menos oito requerimentos para prestar esclarecimentos e participar de audiências na Câmara. Os pedidos vêm do PT, PDT e Solidariedade.

É pedra… Em um dos requerimentos, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) pede a quebra de sigilos telefônicos de Janot.

É o fim do caminho. O senador Renan Calheiros é “só amor” em relação à denúncia da PGR contra ele. “O que se vê é um espetáculo de mau-caratismo e desonestidade sem precedentes. Espero que todos os corruptos, inclusive os travestidos de paladinos da ética, sejam, enfim, conhecidos”, disse.

Te entendo. Ministros do TSE também saíram em defesa do ministro Edson Fachin, do Supremo, nas suspeições levantadas pelos delatores da JBS. Dizem ser impossível se livrar de “gente” como Ricardo Saud.

Na pauta. A Comissão de Ética da Presidência vai examinar, no dia 18, as revelações feitas sobre o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Vão decidir se abrem novas frentes de investigação contra o político do PMDB.

Agradou. Após a aprovação da TLP, nova taxa de juros de empréstimos do BNDES, o relator Betinho Gomes foi surpreendido por um whatsapp da ex-presidente do banco Maria Sílvia Bastos, considerando seu trabalho “essencial” para a aprovação da proposta.

No limite. O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) vai endurecer o discurso para aprovar a reforma da Previdência ainda este ano. O governo vai lembrar aos parlamentares aliados a sua responsabilidade para que se mantenham saudáveis as contas públicas.

Aritmética. Segundo Padilha, as contas simplesmente não fecham. “Se não fizermos a reforma da Previdência até 2024, todo o Orçamento da União será para os gastos com a folha de pagamento, Previdência e gastos contingenciados com Saúde e Educação.”

SINAIS PARTICULARES – ELISEU PADILHA
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

 

Mais um. Depois da filiação do senador Fernando Bezerra Coelho (PE), o próximo político a entrar no PMDB poderá ser o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE).

Casa nova. Moura foi convidado pelo presidente do PMDB, Romero Jucá, mas não bateu o martelo.

Simplificando. O Cade fechou parceria com o Conselho Federal da OAB para melhorar o sistema eletrônico de notificações de atos de fusão e aquisição e facilitar o acesso de advogados aos processos da autarquia.

CLICK. Depois da aprovação da TLP, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk, comemorou com técnicos do BC e da Fazenda.

Foto: Facebook Fábio Kanczuk

 

 

A SEMANA

TERÇA-FEIRA, 12

Deputados podem retomar votação da reforma política

Na pauta, a criação do fundo de R$ 3,6 bilhões para financiar as eleições, proposto pelo relator Vicente Candido.

QUARTA-FEIRA, 13

STF julga se Janot pode atuar em processos contra Temer

Ministros julgam pedido da defesa de Michel Temer. Se aceito, Janot estará impedido de atuar contra o presidente.

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