Para governo, Janot usa pedido de prisão para se fortalecer

Para governo, Janot usa pedido de prisão para se fortalecer

Coluna do Estadão

09 Setembro 2017 | 05h30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Para líderes governistas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, traçou um roteiro para tentar salvar sua imagem depois da reviravolta provocada pela descoberta de áudios omitidos por Joesley Batista. Nessa avaliação, Janot, fragilizado politicamente, não teve outro caminho que não fosse pedir a prisão de Joesley e de Ricardo Saud, executivos da J&F, e do ex-procurador Marcelo Miller, seu ex-braço direito na PGR. Os governistas acreditam que, sem o movimento, não haveria condição de apresentar a segunda denúncia contra Michel Temer.

Bambuzal. Contra-atacando Janot, o Planalto acha impossível tantas denúncias estarem “maturadas” para sustentar investigações. Em quatro dias, a PGR denunciou oito petistas e sete peemedebistas.

Quebra-cabeça. Quem ouviu diz que os áudios recuperados pela PF em gravadores de Joesley Batista complementam os entregues de livre e espontânea vontade pelo delator à PGR na semana passada.

O que precisa. Um investigador diz que somente juntando os dois é possível chegar à conclusão de que os fatos são gravíssimos.

Uma chance. O ministro Edson Fachin, do STF, ainda avalia destruir os áudios recuperados pela PF alegando que são conversas invioláveis entre Joesley e seus advogados.

Mais gente tem. A Coluna apurou, porém, que mais de um ministro recebeu o material da PF porque há conversas que interessam a outras investigações.

CLICK. Preso ontem, Gustavo Ferraz, diretor-geral da Defesa Civil de Salvador,  fez campanha com Lúcio Vieira Lima, pela prefeitura de  Lauro de Freitas (BA). Foi derrotado.

Foto: Facebook Gustavo Ferraz

Ponto frágil. A prisão de Gustavo Ferraz estremece a relação do DEM com o PMDB. Ferraz foi indicação do PMDB, de Geddel Vieira Lima.

De olho. Sob o guarda-chuva de Ferraz, na Defesa Civil, estavam os secretários de Mobilidade, Fábio Mota, e de Infraestrutura, Almir Melo, indicados pelo PMDB. Eles continuam.

Pente-fino. Procurado, o prefeito de Salvador, ACM Neto, admitiu já ter averiguado os sete meses de gestão de Ferraz e que os fatos alegados são de 2012. “Se tiver mais gente, será demitido na mesma hora.”

Montanha russa. Parlamentares não escondem o espanto com as mudanças seguidas no cenário. Em uma semana, houve a reviravolta na delação de Joesley, a descoberta da dinheirama de Geddel, as acusações de Antonio Palocci contra Lula e denúncias contra petistas e peemedebistas.

SINAIS PARTICULARES – ANTONIO PALOCCI
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

 

Nem um pio. Preso em julho, Aldemir Bendine, ex-presidente do BB e da Petrobrás, está “muito sereno”, segundo Alberto Toron, seu advogado.

É ele. Palacianos dizem que, a não ser que o vento mude, o novo diretor-geral da PF será Rogério Galloro. Ele tem vantagem por ser escolha do atual diretor, Leandro Daiello.

Por onde andas. Mulher do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a deputada Iracema Portella (PP-PI) não aparece na Câmara desde 30 de agosto. Teve ausência registrada em seis sessões.

Caravana. Para reforçar a candidatura ao Planalto, o governador Geraldo Alckmin vai receber deputados estaduais, em jantar no Palácio dos Bandeirantes.

 

PRONTO, FALEI!

“Que a Justiça e a verdade prevaleçam sempre e possamos construir um País próspero, livre da chaga da corrupção”, DE MARCELO CALERO, EX-MINISTRO DA CULTURA, sobre a prisão de Geddel, a quem denunciou.

 

 

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