‘O Brasil precisa sair das mãos dos políticos’, diz Justus

‘O Brasil precisa sair das mãos dos políticos’, diz Justus

Marcelo de Moraes e Gustavo Zucchi

12 Dezembro 2016 | 05h43

ENTREVISTA/ROBERTO JUSTUS

No momento em que a “antipolítica” se tornou central no cenário nacional, o empresário e publicitário Roberto Justus admite entrar na disputa presidencial em 2018. Garante que não se decidiu, mas reconhece que a ineficiência e corrupção fizeram a população se cansar dos políticos. “O Brasil precisa sair das mãos deles”, afirma. Depois das eleições de Donald Trump e João Doria, apresentadores, como ele, do programa O Aprendiz, Justus sabe que a comparação é inevitável. Não liga e diz que gostaria de ter debatido com Trump: “Eu o destruía em cinco minutos”, diz.

Candidato à Presidência
Pela primeira vez, admiti a possibilidade. Isso começou com um grupo de empresários. Conversando comigo, falaram: ‘Qual é o empresário que tem o teu perfil, líder de mercado onde atua, respeitado e que tem o conhecimento do grande público pelo fato de estar há 14 anos na televisão? Você não tem passado sujo, tem credibilidade, e é considerado um bom gestor’. E eu falei: ‘olha, é verdade’.


Topa ou não topa
O que está faltando para entrar em um projeto como esse é eu querer muito. E, para isso, estou analisando o cenário. Tem partidos novos, limpos ainda. Estou conversando com dois ou três partidos sobre essa possibilidade. Não estou decidindo uma candidatura ainda, porque não é o momento e porque não sei se é isso que quero. Mas tem um empresário amigo meu que disse: essa decisão não pertence a você, essa decisão pertence ao teu País.

Rejeição aos políticos
Admiti a hipótese de disputar porque precisamos tirar a gestão do País da mão dos políticos. Essa é a minha visão. Eu não vejo nenhum político, que possa vir a estar lá (na Presidência) daqui a dois anos, que possa fazer o Brasil pensar grande.

Corrupção.
O político, em vez de legislar, de se entregar para a vida pública e fazer bem para sociedade, acaba buscando o poder e o enriquecimento ilícito. Tem bons políticos? Tem, mas, infelizmente, o poder acaba corrompendo e seduzindo a grande maioria.

Lava Jato
Acho sensacional, veio para ser um marco na história.

Momento político
Tem os exemplos de Donald Trump, João Doria. E os votos brancos, nulos e abstenções, que foram os grandes vencedores das últimas eleições. Você olha para tudo isso e pensa: é um momento diferente. As pessoas chegaram ao limite do cansaço de ficar ouvindo político falar.

Jogo sujo
Se decidir concorrer, vou enlouquecer em um mundo sujo, complexo e mentiroso. Ao entrar numa campanha dessas, você vai pisar no pé de um monte de gente e ser massacrado.

Campanha
Se fizesse campanha agora seria do tipo: quem quer ajudar o Brasil? Pessoas físicas, grandes empresários, caras com mentalidade de livre iniciativa, apoiando economia de mercado, redução do Estado, desburocratização, criação de ambiente de negócios favorável, geração de emprego.

Privatizações
Adoraria ver o Brasil privatizando Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa. Diriam: esse cara é louco. Mas eu e todos os empresários faríamos isso. Se a gente tivesse a Petrobrás na mão da iniciativa privada, não ia ter corrupção lá dentro.

Trump
Analisei muito a eleição. Ele estava despreparado e teria sido eleito muito mais facilmente se não tivesse apelado tanto. Não sou o cara mais politicamente correto do planeta, mas essas bobagens que ele falou…Partiu para um caminho que dava vergonha alheia. Queria estar naquele debate. Não que me ache grande coisa, mas destruía Trump em cinco minutos.

ENTREVISTA A MARCELO DE MORAES E GUSTAVO ZUCCHI

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES

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