Na CPMI, governistas vão pressionar por punição para Marcello Miller

Na CPMI, governistas vão pressionar por punição para Marcello Miller

Coluna do Estadão

11 Setembro 2017 | 05h30

Foto: Fabio Motta/Estadão

A decisão do ministro do Supremo Edson Fachin de não autorizar a prisão do ex-procurador Marcello Miller provocou péssima reação no Congresso. Líderes governistas e integrantes da CPMI da JBS farão carga sobre o ex-braço direito de Rodrigo Janot para tentar provar que Fachin errou e reverter a decisão. O primeiro requerimento a ser votado amanhã na CPMI é justamente o da convocação de Miller e deverá ser aprovado facilmente. Governistas querem mostrar que o ex-procurador ajudou a montar irregularmente a delação premiada da JBS.

Com a palavra. Miller nega que tenha cometido qualquer irregularidade em todo o processo relativo à delação de Joesley Batista.

Marcação. Autor de 57 dos 95 requerimentos da CPMI da JBS, Izalci Lucas (PSDB-DF) quer detalhamento técnico de documentos e investigações que envolvam a empresa.

Como pode? Ele considera “estranho” que movimentações financeiras não sejam identificadas. “Qualquer pessoa que saca R$ 5 mil tem burocracia”, diz.

Ligações perigosas. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acha que existe “um submundo que tem de ser clareado” na delação de Joesley Batista. “Existem relações subterrâneas que levaram a uma série de procedimentos contra pessoas, o País e o governo”, diz.

Nem vou bater. Jucá não responsabiliza, ainda, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Não quero ser irresponsável com Janot como ele foi comigo. Não quero impingir a ele nenhum crime antes de ser investigado. Mas ele impingiu a mim”, critica.

SINAIS PARTICULARES – ROMERO JUCÁ
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

 

Eu não. Autor do pedido de abertura da CPMI, Alexandre Baldy (Pode-GO), vai na contramão da comissão. Diz que a idealizou para investigar a utilização de recursos públicos pela empresa, não para ser arma contra MP ou Judiciário.

Point? O boteco aonde se encontraram “casualmente” Rodrigo Janot e o advogado Pierpaolo Bottini, que faz parte da defesa de Joesley Batista, é, na verdade, uma distribuidora de bebidas, com pouquíssimas mesas disponíveis.

Deixa como está. Com seis senadores denunciados pela PGR, sendo cinco do PMDB e um do PT, o presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto (PMDB-MA), deve permanecer de braços cruzados.

Vale-refeição. O ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) convidou amigos para um jantar no domingo, 17, em apoio para ajudá-lo a pagar seus advogados. A adesão é salgada: R$ 300. Agnelo teve R$ 10 milhões bloqueados pela Operação Panatenaico, que investiga desvios no estádio Mané Garrincha.

CLICK. O deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT) se reuniu com o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em busca de recursos para o Mato Grosso.

Foto Facebook Nilson Leitão

Podemos voltar. Retirado da CCJ pelo PMDB, por ter dado parecer a favor da denúncia contra Michel Temer, o deputado Sérgio Zveiter (RJ) voltou à comissão após filiar-se ao Podemos. É cotado para relatar também a segunda denúncia contra o presidente.

Esse não. Já o deputado Marcos Rogério (DEM-AC), também cotado para a função e que votou a favor da denúncia, não deve ser escolhido por ser do mesmo partido que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Assim, não passará a impressão que Maia trabalha pela queda de Temer.

PRONTO, FALEI!

“Cadeia é o lugar certo pra quem roubou bilhões dos cofres públicos, zombou e enganou uma nação inteira”, DO SENADOR E PRESIDENTE DA CPMI DA JBS ATAÍDES OLIVEIRA (PSDB -TO) sobre a prisão do empresário Joesley Batista.