Ministros de Temer se articulam para manter emprego

Ministros de Temer se articulam para manter emprego

Coluna do Estadão

15 Novembro 2017 | 05h30

SINAIS PARTICULARES. Michel Temer, presidente da República; por Kleber Sales

A decisão do presidente Michel Temer de iniciar a reforma ministerial ainda neste ano provocou um corre-corre de ministros políticos no Planalto. Se agradou ao Centrão, que deseja emplacar nomes em vagas ocupadas pelo PSDB, desagradou aos ministros desse próprio grupo, que não esperavam sair dos cargos antes de abril, prazo-limite da lei eleitoral. Uma linha de corte que está sendo proposta é tirar do governo agora os ministros que já decidiram se candidatar em 2018. Os que ainda estão em dúvida ficariam mais quatro meses no cargo.

Salvos. Essa proposta assegura os empregos, por exemplo, dos ministros Gilberto Kassab (Comunicações) e Henrique Meirelles (Fazenda), do PSD, que ainda não decidiram se vão disputar o pleito de 2018.

Vão pensando. Kassab avalia concorrer ao governo de São Paulo, mas apenas se o senador José Serra, de quem é amigo, não se apresentar. A candidatura de Meirelles ao Planalto também ainda é hipótese.


Mais alto. Apesar de não confirmar, aliados dão como certa a participação de José Serra na disputa pelo governo de São Paulo. O tucano, contudo, ainda acalenta o sonho de ser o candidato do PSDB à Presidência da República.

Gentileza gera…Deputados do baixo clero agradeceram ao ex-ministro Bruno Araújo pelo pontapé inicial na reforma ministerial. O medo de ser demitido fez outros ministros de Temer, com fama de inacessíveis, ficarem mais solícitos e abrirem suas agendas.

Depende dele. O PP concluiu que é mais difícil encontrar um técnico para presidir a Caixa do que o Ministério das Cidades. Por isso, se a pasta for oferecida ao partido, vai buscar um nome antes de oferecer Gilberto Occhi, que comanda a instituição.

Clone. A dificuldade está no perfil. O PP quer alguém “tipo Occhi”, que já mostrou ter traquejo e desenvoltura para tocar um ministério. O chefe da Caixa foi ministro do governo Dilma. Temer ainda não tratou da substituição no ministério.

Nas mãos dela. O ministro Edson Fachin consultou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre o pedido da Comissão de Ética Pública das gravações envolvendo o ministro Marcos Pereira (Indústria e Comércio) e Joesley Batista. O colegiado investiga o ministro, que nega.

Forcinha. O colegiado pode ajudar Temer na reforma ministerial se decidir recomendar a demissão do ministro. Pereira é acusado de pedir propina à JBS, caso considerado grave pela comissão, que aguarda as gravações para conclusão.

CLICK. A ministra Luislinda Valois, que pediu para receber R$ 61,4 mil sob alegação de trabalho escravo, é alvo de um abaixo-assinado que pede sua exoneração. O caso foi revelado pela Coluna.

Foto: Reprodução Change.org

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Ganhou. Até sexta, a decisão do governo era enviar projeto de lei para alterar a legislação trabalhista. Temer mudou de ideia após se reunir com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, que pediu a MP.

É guerra. Projeto de lei da deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ) que regulamenta o naturismo (prática de nudismo) é a nova polêmica da bancada evangélica no Congresso. Ela foi autora da lei que regulamentou a prática na praia de Abricó, no Rio de Janeiro, e agora quer estender o direito a todo o país.

 

Com roupa. Os deputados evangélicos querem barrar a proposta que está para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e permite o naturismo de crianças e adultos em locais definidos pelos governos estaduais e municipais.

PRONTO, FALEI!

“Não existe agenda boa ou ruim para o governo. Existe a necessária, que é a reforma da Previdência”, DO DEPUTADO LELO COIMBRA (PMDB-ES) sobre a proposta do governo que muda as regras da aposentadoria.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA

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