Marun menciona condenação de Lula para criticar Judiciário

Marun menciona condenação de Lula para criticar Judiciário

Naira Trindade

06 Fevereiro 2018 | 12h03

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ministro da articulação política do governo Michel Temer, Carlos Marun criticou o “corporativismo do Judiciário” ao referir-se à interferência da Justiça na posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho, em palestra  durante um café da manhã na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), nesta terça-feira, 6. Sem citar nominalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro provocou: “Se a Justiça condena a 12 anos de prisão o líder das pesquisas, será que é só a política que está sem credibilidade ou o Judiciário começa a perder a sua?”, questionou.

Marun alegou que “o combate à corrupção tomou lugar do combate a bandidos”. “A segurança pública fez, nos últimos anos, a opção de combater a corrupção em vez e combater bandidos”, afirmou. Ele se posicionou contrário à intenção de o governo de criar um Ministério de Segurança Pública. “O governo não pode assumir para si a segurança do País”, afirmou.

Um dos ministros mais engajados para a aprovação da reforma da Previdência, Marun confirmou não ter hoje os votos necessários para aprovar as mudanças na aposentadoria, mas se esquivou de avançar em outras pautas repetindo não haver plano B. “É tudo ou tudo”, afirmou, insistindo em alteras as regras previdenciárias até março. “Dizer que não há clima é o que nos atrapalha hoje. Precisamos que nossa torcida entre em campo”, disse. Ele alegou faltar cerca de 50 votos e que a meta do dia é obter oitos votos. Em um discurso duro, Marun também criticou deputados “sem coragem” que defendem publicamente um posicionamento contrário, mas “quando colocam suas cabeças nos travesseiros, rezam para que a proposta seja aprovada”.

Em um momento de ‘autocrítica’, o ministro diz ser apaixonado por si mesmo como político. E que só se arrepende de coisa em sua jornada política: “de ter devolvido R$ 1 mil de passagens aéreas da ‘visita pública’ ao ex-deputado Eduardo Cunha em Curitiba”, disse. “Não devia ter devolvido. Aquilo me rendeu 4 minutos de Jornal Nacional. Do resto, faria tudo de novo”, esbravejou.