Governo começa a punir hoje deputados infiéis

Governo começa a punir hoje deputados infiéis

Coluna do Estadão

27 Outubro 2017 | 05h30

SINAIS PARTICULARES: Michel Temer, presidente da República; por Kleber Sales

O ‘Diário Oficial da União’ começa a trazer hoje demissões de apadrinhados de deputados que votaram a favor da abertura de processo contra Michel Temer. Serão punidos nessa primeira leva os deputados que sempre foram bem tratados pelo governo, tendo seus pleitos atendidos, mas, nas palavras de um ministro, se “acovardaram”. O governo decidiu cumprir rápido a promessa de que os traidores não serão perdoados para recompensar sua base de apoio. Os cargos serão redistribuídos entre os que ajudaram a enterrar a segunda denúncia.

Foi mais. O governo considera que teve 276 votos contra a segunda denúncia e não os 251 mostrados no placar. A conta inclui os 25 ausentes. Quem não votou, na prática, ajudou Temer.

Nem tanto. Mesmo seguindo essa lógica, o governo teve menos votos na segunda denúncia comparada à primeira. Na ocasião, o governo recebeu, somados votos e ausências, o apoio de 283 deputados.


No script. Deputados avisaram ao governo que se ausentariam da sessão porque estavam sendo pressionados por eleitores a votar contra Temer. A falta foi a estratégia encontrada para evitar o voto contrário.

Articulações… Aliados de Michel Temer já começaram a traçar o perfil de novos ministros para sugerir ao presidente no momento em que 12 terão de se desincompatibilizar para disputar as eleições de 2018.

…nos bastidores. O primeiro da lista é o assessor especial Mozart Vianna. Respeitado e conhecido no Congresso, ele é cotado para assumir a articulação política, cargo ocupado por Antonio Imbassahy, que deve concorrer à reeleição de deputado federal.

Atrasado. O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) não conseguiu votar a favor da denúncia da PGR contra Temer porque estava no banheiro. Quando correu de volta ao microfone, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não permitiu o voto fora da ordem.

Outra chance. Com o “acidente” que tirou um voto da oposição, um grupo de deputados quer mudar o regimento para permitir uma segunda chamada.

Marcha lenta. Quatro meses depois do julgamento da chapa Dilma-Temer, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não publicou o acórdão que permite ao Ministério Público recorrer da decisão que rejeitou a cassação da chapa.

Tudo… O TSE informou que os acórdãos costumam ser publicados um mês após o julgamento. Mas, devido a ineditismo, essa ação não se encaixa nos padrões dos demais processos.

…Novo. Segundo o tribunal, os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux ainda estão revisando seus votos. Os demais já finalizaram. E até quando eles podem entregar os votos? “Não há prazo regimental para conclusão da revisão para a publicação do acórdão”, diz o TSE.

CLICK. Centrais sindicais se reuniram ontem para tratar do ato, dia 10 de novembro, que vai protestar contra a reforma trabalhista e a portaria do trabalho escravo.

FOTO: Assessoria Paulinho da Força

Muita coisa. Joesley e Ricardo Saud, da JBS, pediram ao ministro Edson Fachin mais tempo para complementarem suas delações premiadas. O prazo, já prorrogado uma vez, termina no fim do mês.

Mais isso. Os delatores querem ainda que seja suspenso o período de seis meses para pagamento da multa estipulada no acordo, que começa em novembro.

Diz aí. Fachin decidiu ouvir a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, antes de tomar sua decisão.

PRONTO, FALEI!

“Jamais veremos um Congresso tão ruim quanto este que vê com naturalidade as denúncias de corrupção e obstrução de justiça contra o presidente”, DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (REDE-RJ), sobre o resultado da votação que livrou o Temer de processo no Supremo.

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COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA, BRENO PIRES E VERA ROSA