Gilmar Mendes diz que Janot quer ‘HC preventivo’ ao pedir revisão de delação

Luiza Pollo

05 Setembro 2017 | 17h31

FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADAO

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes,  disse à Coluna que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atuou para se preservar quando decidiu pedir a revisão da delação dos executivos da JBS. “Eu acho que ele está pedindo um habeas corpus preventivo. Isso iria estourar nas contas dele. E, com muita justiça, já estourou”, disse Mendes, sobre o suposto envolvimento do ex-braço direito de Janot, Marcelo Miller.

Janot encaminhou o pedido de revisão ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, por considerar que novas gravações entregues pelo empresário Joesley Batista apontam “graves indícios” de crimes que teriam sido omitidos no seu acordo de colaboração.

As novas gravações complica, por exemplo, o ex-procurador Marcelo Miller, que atuou como braço direito de Janot até pedir demissão para trabalhar num escritório de advocacia que atendia a JBS. Nas conversas, Joesley Batista diz que foi orientado por Miller (na época ainda na PGR) antes de fechar a delação premiada.

Os novos áudios da delação de executivos da J&F entregues à Procuradoria-Gereal da República (PGR), na semana passada, citam os nomes de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e a presidente da Corte, Carmén Lúcia. Em nenhum deles, há menção ou atribuição a algum tipo de crime, de acordo com informações apuradas pelo Estado.