Dono de bar diz que advogado de Joesley só foi lá uma vez

Lígia Formenti e Andreza Matais

11 Setembro 2017 | 17h40

O advogado Pierpaolo Bottini nunca havia sido visto na loja que no sábado serviu de palco de encontro com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Encravada num pequeno centro comercial do Lago Sul, área nobre de Brasília, a loja é geralmente frequentada por moradores da região. Um perfil bem diferente de Bottini, que vive em São Paulo.

“Eu nunca tinha visto ele, foi a primeira vez. Ali frequenta muita gente. Muito político passa por lá, muitos advogados de todo tipo. Lago Sul é onde mora a maioria dos políticos. Profissionais liberais. Tem sempre alguém. A gente faz entrega para diversas pessoas. É um comércio que passa muita gente que está na mídia”, disse à Coluna o empresário Cesar Danna, dono da distribuidora.
Defensor do empresário da J&F Joeley Batista, Bottini foi fotografado numa mesa com Janot um dia depois de o procurador pedir a prisão de seu cliente. A imagem foi veiculada pelo site O Antagonista. Ambos afirmaram que o encontro ocorreu por acaso e que, durante a conversa, assuntos profissionais foram deixados de lado.
Proprietário há seis anos da distribuidora, batizada de Lago Sul,  Danna afirmou ter presenciado a cena. Janot teria chegado antes e se instalado em uma mesa que, naquele dia, estava nos fundos da pequena loja. Segundo Danna, antes de Bottini sentar-se à mesa, Janot teria conversado com outra pessoa, que também logo deixou o local. Sobre o encontro com advogado, Bottini resumiu: “Foi bem rápido.”
Ao contrário de Bottini, Janot é cliente conhecido da distribuidora. Donna contou ao Estado que ele é visto com frequência na loja. No sábado, ele teria chegado por volta de meio dia. Não fez nenhuma compra grande. A impressão, disse o proprietário, é de que ele aguardava o horário para sair para o almoço.
A distribuidora tem quatro mesas à disposição dos clientes dispostos a aguardar encomendas ou que desejam saborear as bebidas instaladas na geladeira da loja. Os interessados servem-se por conta própria. Ali não há garçom. A distribuição das mesas também varia. Quando o clima permite, elas ficam do lado de fora. Mas se o cliente quer deixá-la nos fundos, para fugir do barulho ou garantir privacidade, a mudança é feita sem problemas.
A mesa de Bottini e Janot estava instalada nos fundos da loja. No dia seguinte, não estava mais lá. No local eram vistas apenas algumas caixas e garrafas.
Danna diz não se queixar do movimento. Ele conta que são vários os políticos e empresários que vão até o local. Questionado, ele diz que a privacidade dos clientes faz parte do negócio e, por isso, não pode citar nomes. Mas emenda dizendo que Janot é sempre reconhecido pelos demais compradores. “Ele às vezes fica em pé, não precisa nem sentar. Muitos o cumprimentam, fazem elogios”, relata.
O empresário atribui o sucesso da loja à localização e à variedade e qualidade das bebidas. A comida não é o forte. Aqueles que buscam algo para acompanhar a bebida recorrem a um espetinho, vendido nos fins de semana por um conhecido que há anos usa o local. O forte são os espetos de carne, mas também estão disponíveis os de frango. Danna diz que parte dos clientes, atraída pelo sabor da comida, não chegam nem mesmo a comer no local. Pedem e levam para viagem.