Deputado Pedro Tobias: ‘A Assembleia hoje não serve para quase nada’

Deputado Pedro Tobias: ‘A Assembleia hoje não serve para quase nada’

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Entrevista a Marcelo de Moraes

05 Dezembro 2016 | 05h00

Deputado Pedro Tobias. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Deputado Pedro Tobias. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Os mais de vinte anos de atuação como deputado estadual credenciam o tucano Pedro Tobias a fazer uma das mais fortes críticas já feitas ao trabalho da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Do jeito que as coisas estão, a Assembleia hoje não serve para quase nada”, diz. Nascido no Líbano e presidente do PSDB no Estado de São Paulo, Pedro Tobias diz que a Casa praticamente não legisla e não discute questões centrais, como Educação e Saúde. “Hoje, deputado só corre para ser reeleito e arrumar alguma coisa para a região dele”, critica.

Assembleia Legislativa
Do jeito que está, hoje, a Assembleia não serve para quase nada. Sempre falei no plenário que se não mudarmos, o povo vai mudar as pessoas da Assembleia.

Longe da sociedade
A sociedade está afastada da Assembleia. E a Assembleia está afastada das causas coletivas. Um exemplo: Educação. Hoje, todos falamos que fracassamos em relação à Educação pública no Brasil. Porque ninguém está satisfeito. Nem professor, nem aluno. Os alunos estão saindo das escolas semianalfabetos. E nós, na Assembleia, poderíamos fazer um fórum sério de debate suprapartidário sobre o assunto.

Desinteresse
Infelizmente, deputado só corre para ser reeleito. Para arrumar emendas ou alguma coisa para a região dele. Acho que deputado devia ocupar o papel legislativo. Devia debater também soluções para o Executivo, em vez de só ficar a reboque do governo. Voltamos ao caso da Educação. Gastamos muito dinheiro e o resultado é medíocre. É nosso papel discutir isso. Sem mágoas, sem briga por política. Mas, hoje a Assembleia não liga para isso.

Acordos
Tudo lá funciona através de acordos. Acho que nada é pior do que votar por acordo. Todos os projetos deveriam ser debatidos no plenário. Quem é a favor defende por que é a favor. Quem é contra defende por que é contra. É assim que deve ser feito. Mas na Assembleia não é assim.

Inutilidade
Do jeito que está, vamos chegar numa hora em que não temos mais utilidade. Os projeto que estamos aprovando são os que vêm do Executivo. Produção nossa, feita pelo Legislativo, não tem.

Desequilíbrio de forças
Hoje, tudo é decidido pelo colégio de líderes. Além disso, uma bancada de 22 deputados, igual a do PSDB, tem a mesma voz que uma que tem só um deputado. Precisa mudar o regimento interno urgentemente. Cada deputado tem direito a falar por dez minutos. Quem quiser obstruir qualquer coisa pode obstruir.

Apoio às mudanças
Tem resistência na Casa. Se falar dessa história de Educação, por exemplo, não consigo avançar um centímetro. Mas não é só culpa da gente. É também da sociedade. Dias atrás, insisti para que o secretário de Educação, José Renato Nalini, viesse na Assembleia fazer debate sobre ideias. Ele foi agredido e xingado por professores e alunos. Fica parecendo que nem aluno quer estudar, nem professor quer ensinar.

Representatividade
Se fizer pesquisa em São Paulo para perguntar em quem a pessoa votou para deputado estadual, 80% não sabem. Isso é grave. Ando muito pelo interior e sabe qual é a primeira pergunta que fazem quando chega um deputado? É ‘o que você trouxe para a cidade’. E se o deputado não segue isso, vai ter um mandato só. Precisa trazer emenda, posto de saúde, asfalto. Discussões profundas, como a da Educação, não precisa.

Mudanças
Estou propondo aos dois candidatos que o PSDB terá à presidência da Assembleia que discutam a revitalização. Porque na Assembleia hoje não temos pauta.

Reforma política
Ou mudamos esse sistema para valer, não essa perfumaria que se faz em Brasília, ou o eleitor muda a gente. Esse sistema está falido 100%.