Defesa de Cunha quer usar delação de Funaro em processo

Andreza Matais

12 Setembro 2017 | 15h33

Foto: Evaristo Sa/AFP

A defesa do deputado cassado Eduardo Cunha apelou ao Tribunal Regional Federal de Porto Alegre para que algumas informações da colaboração do operador Lúcio Funaro sejam incluídas no processo. Cunha, que está preso, já divulgou notas desmentindo fatos da colaboração de Funaro, de quem era próximo, mas desta vez irá usar dados para sua defesa.

“Apesar das diversas mentiras contidas nos vazamentos da delação de Lúcio Funaro, nesse caso específico, a afirmação possui relevância para a presente ação penal”, diz a defesa, na apelação a que a Coluna teve acesso.

Os advogados se referem a offshore Glorieta, mencionada na delação de Funaro como uma conta de Cunha que até agora ainda não tinha sido mencionada na Lava Jato. “Ele [Funaro] declara ter feito, entre 2003 e 2006, remessas para o Banco Northern Trust Bank, em Nova York. Batizada de “Glorieta LLP”, a conta de Cunha está em nome de uma offshore da Oceania”, informam ao TJ.

A conta, diz a defesa, já havia sido mencionada por Cunha em depoimento. “De fato, apesar de a mídia ter alardeado a conta da offshore GLORIETA como algo negativo para o apelante [Cunha], tal fato já havia sido alertado pelo próprio apelante ao juízo como uma conta que existiu e foi encerrada”, pontua a defesa. Para complementar: “as contas pretéritas constituem tema fundamental da instrução, uma vez que foi nelas que foram realizadas as transferências para Fernando Diniz [ex-deputado, morto em 2009]”.

Para a defesa de Cunha, ao confirmar a existência da conta, Funaro ajuda a versão de Cunha. “Com a colaboração de Lúcio Funaro e os respectivos elementos de corroboração a prova documental tão reclamada pelo juiz a quo pode ter sido fortuitamente alcançada. Assim, fica evidente que deve ser assegurado o ingresso nessa ação penal das afirmações de Lúcio Funaro e respectivos elementos de corroboração referentes à chamada offshore Glorieta”.

“Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência, como diligência, que requeira ao Ministro Edson Fachin a juntada aos presentes
autos das declarações de Lúcio Funaro  e seus respectivos elementos de corroboração referentes à chamada offshore Glorieta e seja dada vista às partes em seguida para o que entenderem de direito”, escrevem.

A apelação criminal é destinada ao desembargador João Pedro Gebran Neto e assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso e Ticiano Figueiredo, do escritório Figueiredo e Velloso.

Veja a apelação:

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