Decisão de Janot provoca dúvidas entre investigadores

Decisão de Janot provoca dúvidas entre investigadores

Coluna do Estadão

05 Setembro 2017 | 05h30

Foto: Joédson Alves/EFE

Investigadores se perguntam ao final por que razão Joesley Batista entregou à PGR áudios que podem comprometer seu acordo de delação. Joesley já se mostrou muito esperto para cometer erro tão crasso. Ele tem ótimos advogados, conseguiu todos os benefícios: não foi preso; não teve o passaporte apreendido; não usou tornozeleira, não pode ser processado e, ainda, ganhou milhões após confessar crimes. A decisão de Janot de pedir a revisão do acordo com base nesses áudios também intrigou os que enxergam no movimento brusco uma vacina.

Toma aqui. Na entrevista, Janot disse que os áudios foram dados por Joesley de “livre e espontânea” vontade. São quatro horas de conversas que trariam “graves indícios” envolvendo a Procuradoria e o STF.

Esquentaram. A J&F nega que os áudios comprometam Joesley Batista. “O diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”, diz.

Ferveu. Mas um trecho da nota chama a atenção. A J&F diz ter ouvido vários profissionais antes de decidir pela delação. A Coluna apurou que a lista inclui Marcelo Miller, ex-braço direito de Janot que se associou a escritório que advogou para Joesley.

Jogo jogado. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, foi o primeiro a saber que Rodrigo Janot iria pedir a revisão do acordo de delação da JBS. Janot o avisou pouco antes de fazer seu pronunciamento.

Todo mundo tá feliz. No Planalto, a avaliação é que, ao pôr a delação da JBS sob risco, o próprio Rodrigo Janot praticamente sepultou a segunda denúncia que deve apresentar contra o presidente Michel Temer.

Árvore envenenada. A leitura é que as fragilidades na delação de Joesley Batista contaminam as informações do delator Lúcio Funaro, que darão sustentação à nova denúncia.

Despertador. Michel Temer foi avisado às 6h40 da manhã (horário na China) sobre a fala de Janot. Pediu calma e serenidade até que a íntegra dos áudios seja revelada. Combinou também se reunir com Antonio Mariz, seu advogado, para discutir o caso.

Delação em dúvida. A delação de Ricardo Saud, da JBS, não prosperou quanto ao escritório Erick Pereira Advogados. A banca foi excluída pela PGR da lista de investigados no inquérito que apura caixa 2 de Robinson e Fábio Faria, governador potiguar e deputado.

CLICK. O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), participa da missa em homenagem aos 90 anos de seu avô, o ex-governador da Bahia Antonio Carlos Magalhães. Uma avenida com o nome do líder baiano foi inaugurada ontem na capital.

Foto: Facebook ACM NETO

Na marra. O senador Lasier Martins (PSD-RS) apresentou requerimento para convocar o ex-presidente Lula na CPI do BNDES. Defende que o petista explique empréstimos do banco a empreiteiras do petrolão.

Defesa. A AGU ingressou no STF com pedido de habeas corpus para evitar que o ministro da Saúde, Ricardo Barros, seja obrigado a comparecer a audiência, quarta, na Justiça da Bahia.

O caso. Barros é acusado de descumprir liminar para compra de medicamento para síndrome de Hunter.

No jogo. O prefeito João Doria vai buscar o apoio do senador Aécio Neves para se fortalecer no PSDB e tentar garantir a indicação para a disputa presidencial no lugar do governador Geraldo Alckmin.

Vou pensar.  O mineiro não gostou da veemência com que Doria apoiou seu afastamento do comando da sigla. Aliados de Aécio, porém, acham que a conversa ainda pode prosperar.

SINAIS PARTICULARES – GERALDO ALCKMIN E JOÃO DORIA
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

PRONTO, FALEI!

“Se fosse o PGR, não agiria de forma açodada como na primeira denúncia, que se mostrou inválida”, DE ANTÔNIO MARIZ, ADVOGADO DO PRESIDENTE MICHEL TEMER, dizendo que Raquel Dodge deve decidir sobre outra denúncia.

 

 

Siga a Coluna do Estadão:
Twitter:
@colunadoestadao
Facebook:
facebook.com/colunadoestadao
Instagram:
@colunadoestadão