Com delação adiantada, Palocci avalia deixar o PT

Com delação adiantada, Palocci avalia deixar o PT

Coluna do Estadão

14 Setembro 2017 | 05h30

Foto: André Dusek/Estadão

 

Definida por quem participa das negociações como um “pouso de jumbo” e não de um “teco-teco”, a delação de Antonio Palocci demorou, mas está próxima de ser concluída. O processo levou tempo porque, como o ex-ministro está preso, o acesso dele às provas é difícil, ao contrário do que ocorreu com Joesley Batista, que quando solto pôde gravar seus algozes. A delação, que irá incriminar ainda mais Lula, vai marcar outro movimento de Palocci: interlocutores dizem que ele avalia se desfiliar do PT, ao qual é filiado desde 1981.

Questão de ética. Antonio Palocci se anteciparia a uma provável expulsão do PT. A presidente da sigla, Gleisi Hoffman, diz que ele, ao “mentir sobre Lula”, quebrou o que ela chama de decoro do partido.


Tchau, querido. A expulsão não estava em pauta quando o ex-ministro foi preso e condenado por corrupção, mas se mantinha calado. Agora, Palocci diz que Lula recebeu propina.

Olé. A prisão de Wesley Batista ontem, por fatos sem relação com a delação premiada dele, pegou a equipe de Rodrigo Janot de surpresa. Investigadores dizem que há fatos que podem provocar mais sustos.

CLICK. Antes da tensa sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin se mostrava tranquilo e chegou a posar para fotos com estudantes.

Foto: Beatriz Bulla/Estadão

Sob pressão. Desde que foi preso, Geddel Vieira Lima ainda não foi ouvido pela Polícia Federal sobre os R$ 51 milhões apreendidos com as digitais dele. A demora é proposital.

Cunha avisou. Auxiliares de Michel Temer lembram que a delação do corretor Lúcio Funaro inclui várias declarações dadas pelo ex-deputado Eduardo Cunha em entrevista exclusiva ao Estado, há um ano.

Registrado. Na ocasião, Cunha acusou o ministro Moreira Franco, citado por Funaro, de estar por trás de irregularidades na operação para financiar obras do Porto Maravilha, no Rio.

Furada. Integrante da defesa de Temer, o advogado Gustavo Guedes diz que a delação de Funaro, que deve ser centro da segunda denúncia, não tem “compromisso com a verdade”.

Pontual. Para Guedes, porém, o instrumento da delação não corre risco. “O problema é a banalização.”

Arrumando a casa. O Planalto já monitora sua base de apoio para evitar surpresas em relação à segunda denúncia do PGR, Rodrigo Janot, contra Michel Temer. A ideia é atrair votos entre aliados que tiveram maior grau de infidelidade, como o PSDB.

Nem vem. O problema é que os cabeças pretas tucanos estão dispostos a continuar votando contra Temer. Em conversas pelos corredores do Congresso, falam em “dobrar a meta”.

Foi assim. O PSDB deu 22 votos a favor e 21 contra.

Nova função. O ministro Antonio Imbassahy está sendo chamado pelos governistas de “o homem do lenço”. É ele quem resolve o chororô da base aliada.

Apoio. A ida do senador Roberto Rocha do PSB para o PSDB garante palanque no Maranhão para o candidato presidencial tucano. Ele vai disputar o governo.

Melou. Já a filiação do senador Fernando Bezerra ao PMDB continua causando ruído. O desentendimento com o grupo do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB) é fato consumado, depois da crítica a sua entrada no partido.

Reação. Bezerra reagiu afirmando que “o alarido provocado pelas vozes dos que hoje me criticam vai passar muito rapidamente” Este estilo de fazer política já foi derrotado muitas vezes pelos pernambucanos”, disse.

Round. A saída do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) da CPMI do BNDES em protesto contra a escolha de Carlos Marun (PMDB-MS) como relator reativou a guerra entre o PMDB e o PSDB.

SINAIS PARTICULARES – CARLOS MARUN
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

 

 

PRONTO, FALEI!

“Não temos dinheiro para pagar universidades ou para a Ciência. Como nos damos ao luxo de pagar salários de R$ 200 mil, 300mil, 400 mil?”, DO SENADOR RENAN CALHEIROS (PMDB-AL), sobre a CPI que vai investigar supersalários.

 

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