Chefe da Infraero fez 57 viagens para sua cidade

Chefe da Infraero fez 57 viagens para sua cidade

Coluna do Estadão

03 Fevereiro 2018 | 05h30

Sinais Particulares: Antônio Claret, presidente da Infraero; por Kleber Sales

O presidente da Infraero, Antônio Claret, pediu ressarcimento de despesas como poltronas mais espaçosas e confortáveis em voos nacionais, bebidas alcoólicas, hospedagem com familiares, aluguel de carro blindado e viagens internacionais em classe executiva como mostram notas fiscais. Os gastos chamaram a atenção do Ministério Público e do TCU, que pediu investigação dos Ministérios dos Transportes e da Transparência. Desde 2016 no cargo, Claret fez 65 viagens nacionais, 57 com passagens por Belo Horizonte, sua cidade, e 21 especificamente para a capital mineira. A Infraero fica em Brasília.

Volta pra casa. A maioria das agendas do presidente da Infraero em Belo Horizonte é nas sextas e nas segundas-feiras. Os órgãos de controle suspeitam que os compromissos nesses dias são justificativa para ele permanecer em sua cidade nos finais de semana.

Não pode. As frentes de investigação vão averiguar se houve ato de improbidade administrativa por parte de Claret, por uso em proveito próprio de verba pública. Ele foi indicado para o cargo pelo PR, apadrinhado por Valdemar Costa Neto, que tenta fazê-lo ministro dos Transportes.


Lupa. Auditoria interna da própria Infraero teria determinado a devolução de gastos com passagens aéreas para Belo Horizonte. O valor somaria R$ 30.614. O assento conforto nos voos nacionais acarreta gasto adicional na passagem de R$ 30,00 a R$ 79,00, dependendo da companhia.

Com a palavra 1. A Infraero informa que o custo de todas as passagens relativas às viagens particulares com destino a Belo Horizonte foi ressarcido pelo presidente da empresa. Sobre despesas com bebida, assento conforto e familiares em hotéis, a empresa diz que “isso nunca ocorreu”.

Com a palavra 2. Apesar de ter negado, a Infraero respondeu assim a questionamento sobre quanto gastou com assento conforto desde que Claret assumiu o cargo até hoje: “A Infraero esclarece que o balanço até fevereiro de 2018 só será encerrado até dez dias após o final do mês corrente”.

Farra na FAB. O presidente Michel Temer deve editar nos próximos dias um decreto que vai tornar mais rigorosas as regras para o uso de aviões da FAB por ministros de Estado. O texto está em análise. Entre maio de 2016 e março de 2017, foram gastos R$ 34 milhões com voos.

Pressão tucana. Candidato a líder do DEM, o deputado Alberto Fraga (DF) acusa o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de interferir na sucessão da bancada demista. Fraga foi informado de que o tucano pediu votos para Rodrigo Garcia (DEM-SP), seu ex-secretário. Alckmin não comenta.

Tem quórum. Interlocutores do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, avaliam já ter número suficiente para criar regras mais rígidas para a concessão de auxílio-moradia a deputados e senadores, já que só 150 dos 513 recebem o benefício.

CLICK. Deputados da base aliada dispararam, pelo WhatsApp, o meme em campanha pela derrubada do veto presidencial do Refis para micro e pequenas empresas.

ILUSTRAÇÃO CRC

Sem chance. O governo deve descartar a possibilidade de criar o Ministério da Segurança Pública. Concluiu que até a estrutura começar a funcionar, levaria muito tempo e não daria para começar a funcionar ainda nesta gestão.

Consolidou. Na inauguração de uma fase da transposição do Rio São Francisco, o ministro Helder Barbalho (Integração) perguntou a moradores se sabiam quem concluiu a obra. Ouviu como resposta: “Foi o Lula”.

PRONTO, FALEI!

O deputado Efraim Filho. Foto: André Dusek/Estadão

“Não aprovar a reforma da Previdência não é o fim do mundo. Vamos tratar de outros temas, como a reforma tributária. Não estou otimista”, DO LÍDER DO DEM NA CÂMARA, EFRAIM FILHO (PB), sobre a dificuldade do governo de aprovar a reforma nas aposentadorias.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA

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