Candidaturas de centro esvaziam palanque de Alckmin

Candidaturas de centro esvaziam palanque de Alckmin

Coluna do Estadão

29 Março 2018 | 05h30

Foto: Wilson Pedrosa/Estadão

A candidatura de Flávio Rocha (PRB) ao Planalto preocupa os aliados do tucano Geraldo Alckmin. O empresário é mais um que entra na disputa pelos eleitores do centro, somando-se a Rodrigo Maia (DEM) e Michel Temer ou Henrique Meirelles, do MDB. Um rouba eleitor do outro e nenhum deles tira votos do ex-presidente Lula. Em conversas reservadas, tucanos admitem que Alckmin está ficando emparedado e poderá ter dificuldades em formar alianças. Até agora, ele garantiu apenas o PTB e o PPS, que o tinha como plano B. O PPS queria mesmo lançar Luciano Huck.

Tem de bater meta. Para evitar a desconfiança do partido sobre sua capacidade eleitoral, tucanos dizem que Alckmin terá de chegar a 15% nas pesquisas de intenção de voto até agosto, período que antecede o registro da candidatura.

Dúvida. Alckmin ganhou de aliados o apelido de “candidato Tostines”. A pergunta que fazem é: Ele não consegue apoio pela baixa pontuação nas pesquisas ou ele não decolou porque não conseguiu apoio?

(In)direta. Ao saber que o MDB agendou para o dia 3 de abril a filiação do ministro Henrique Meirelles ao partido, Gilmar Mendes brincou com o ministro Moreira Franco. “Parece que o Rodrigo Maia tem razão quando diz que vocês adoram prejudicar aqueles que os ajudam”, disse.

Manda outro. Por causa do ato de filiação, Meirelles teve de mandar substituto para evento em Portugal organizado por Gilmar. Ele abriria as palestras no mesmo dia 3. A data foi escolhida por cair um dia antes do julgamento do HC do ex-presidente Lula pelo STF.

Troca-troca. Os registros oficiais da Câmara mostram que 42 deputados já oficializaram a troca de partido desde a abertura da janela partidária, no início do mês. O MDB perdeu seis deputados, o maior índice de migração.

Atrativo. O partido de Temer, que disputa a reeleição, só atraiu até agora o deputado Beto Mansur (SP). As bancadas do PSL e do DEM foram as que mais receberam deputados. A primeira por influência do candidato Jair Bolsonaro. O DEM, do presidenciável, Rodrigo Maia, seis.

Proteção extra. A equipe do ex-presidente Lula não descarta que ele comece a usar coletes à prova de balas em eventos públicos.

Em análise. Ex-ministro de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho alega que todos estão muito apreensivos. “Isso vai ter de ser pensado com calma porque a segurança dele nos preocupa muito”, diz o petista.

Culpados. Carvalho esteve com Temer ontem. “Esse gatilho dessas balas foi apertado por muita gente que criminalizou e ridicularizou o Lula”, afirma.

CLICK. Em entrevista à TV Justiça, o ministro do STF Luís Roberto Barroso já se referiu a livro do colega Gilmar Mendes como “grandes símbolos para minha geração”. Procurado, o ministro disse que “continha achando a mesma coisa”. Barroso e Mendes têm protagonizado embates duros no Supremo. No último, Barroso disse que Gilmar é uma “pessoa horrível com pitadas de psicopatia”.

 

Amizade retomada. O ministro Moreira Franco disse, em evento em Alagoas, segunda, que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi o melhor presidente do Senado. O gesto irritou governistas. Renan rompeu com o presidente Temer, a quem já chamou de “líder de facção” e disse que “ninguém aguenta mais esse governo”.

SINAIS PARTICULARES

Amigos? O diretor-geral da PF, Rogério Galloro, deu o primeiro pedaço do bolo de aniversário da PF, completado ontem, para a procuradora-geral Raquel Dodge. A cena chamou a atenção de quem conhece a eterna briga entre PF e MPF.

PRONTO, FALEI! 

“A democracia exige tolerância de ideias e respeito. Situações como as ameaças a Fachin e tiros na caravana de Lula devem ser apuradas urgentemente”, DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DA REPÚBLICA, JOSÉ ROBALINHO.  

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA

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