Candidatura de Temer inicia guerra por apoio na sua base

Candidatura de Temer inicia guerra por apoio na sua base

Coluna do Estadão

27 Março 2018 | 05h30

 

Fotos: Dida Sampaio

O presidente Michel Temer vai buscar o apoio para sua candidatura em partidos que hoje conversam com os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL), Rodrigo Maia (DEM) e Flávio Rocha. A expectativa é de que o PP desista de Maia; o PR, de compor a chapa com Bolsonaro, e o PRB, de dar legenda ao dono da Riachuelo, caso o nome dele não decole. Em resposta, os adversários têm mandado recados ao Planalto. Na Câmara há 26 pedidos de impeachment contra Temer que podem tramitar a qualquer momento a depender da vontade política da Casa.

Jogo de varetas. Quem não quer perder apoio também argumenta que trocar expectativa de poder por um ministério é um mau negócio. Pela lei eleitoral, os ministros terão a caneta esvaziada a partir de julho, quando ficam proibidos de liberar recursos.

Meu nome é Enéas. Para ampliar seu tempo de propaganda eleitoral de dez segundos para cerca de quatro minutos, Jair Bolsonaro já aceita que o PR, partido que pode dar seu vice, feche alianças estaduais com siglas adversárias, como PT, PDT, PSB e PSDB, antes vetadas na sua aliança.

Notável. Petebistas querem emplacar o ex-presidente do TST, Ives Gandra, no Ministério do Trabalho. Gandra não tem ligação com o partido, mas é o nome dos sonhos. Para assumir a pasta, ele teria de renunciar ao cargo de juiz. À Coluna, diz que não aceitaria o convite.

Onda vermelha. Os adversários de Fátima Bezerra (PT) ao governo do Rio Grande do Norte perguntaram em pesquisas internas por que os eleitores votam nela. Justificativa de 90%: Ela é a candidata do Lula. A petista lidera pesquisas de intenção de votos no RN.

Passagem de bastão. Os gabinetes dos ministros Luiz Fux e Rosa Weber já iniciaram as conversas sobre a transição na presidência do TSE. Fux deixará a Corte em 15 de agosto – coincidentemente o mesmo dia do prazo final para o registro de candidaturas.

Vende tudo. João Amoedo (Novo) começa a decolar de São Paulo e defendeu, ontem, um choque de privatização incluindo Petrobras, BB e CEF em evento da Fiern (Federação das Indústrias do RN), numa bandeira impensável para as eleições passadas. Ele abriu o Fórum Caminhos do Brasil, da Fiern, que largou na frente e quer ouvir todos os presidenciáveis, desde Guilherme Boulos até Jair Bolsonaro.

Na onda. Michel Temer adotou o hábito de fumar charuto nas conversas noturnas com aliados. Foi influenciado pelo ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

SINAIS PARTICULARES. Presidente Michel Temer; por Kleber Sales

Agora é oficial. O governador Fernando Pimentel (PT) lança sua candidatura à reeleição dia 9. Ele costurou para que o vice seja o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, do MDB.

Só profissa. Com esse movimento, Pimentel conseguiu isolar o atual vice, Toninho Andrade (MDB). Os dois romperam depois que Toninho se aliou à oposição para derrubá-lo.

Procura outro. A aliança PT-MDB em Minas deixa Temer sem palanque no segundo maior colégio eleitoral do País, atrás de SP.

CLICK. O pré-candidato ao governo de SP, Márcio França (PSB), recebeu o PRB em seu gabinete de vice-governador. Dirigentes do partido postaram nas redes sociais que o encontro faz parte de uma “rodada de conversas com os pré-candidatos” ao Palácio dos Bandeirantes. O presidente da sigla, o ex-ministro Marcos Pereira, escreveu: “Segunda-feira nos reunimos com Paulo Skaf (candidato do MDB) e na próxima nos reuniremos com João Doria (candidato do PSDB).

 

Com a palavra. Márcio França nega que tenha usado o gabinete para uma agenda eleitoral. “Tratei com deputados estaduais e federais de São Paulo, de uma importante agremiação, sobre nosso futuro período de governo, a partir de abril”, diz.

Com a palavra 2. “Falamos sobre segurança pública e aceitamos diversas opiniões dos parlamentares do PRB, sobre a integração da policia militar com civil”, complementou o vice-governador paulista. Sobre nas postagens os membros do PRB terem mencionado que a conversa faz parte de rodada com os pré-candidatos, França afirma: “E o o que tem isso? Sou pré-candidato, sou casado, sou santista, sou várias coisas…”

Voo solo. O MDB vai lançar João Santana, ex-ministro de Lula, para o governo da Bahia depois de ter sido vetado nas chapas do DEM e PSDB. Ninguém quer explicar coligação com o partido de Geddel Vieira Lima, preso com R$ 51 milhões.

Sem caixa. O PRTB, de Levy Fidelix, nega que esteja oferecendo recursos do fundo eleitoral em troca de filiação ou que tenha R$ 8 milhões em caixa para isso. “O partido não faz cooptação de políticos mediante oferta financeira”, afirma.

PRONTO, FALEI!

“A Câmara parada causa menos problema à população. Dá menos tiro no pé”, DO DEPUTADO LINCOLN PORTELA (PR-MG), sobre a folga prolongada dos deputados no feriado da Semana Santa.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E RAFAEL MORAES MOURA

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