Andreza Matais: Padilha influenciou Temer a promover troca na PF

Andreza Matais

08 Novembro 2017 | 15h01

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A troca no comando da Polícia Federal, revelada pela colunista Eliane Cantanhêde, ocorre dois meses depois de o diretor-geral Leandro Daiello ter aceitado permanecer no cargo até o final do governo do presidente Michel Temer. No comando da instituição desde 2011, Daiello havia pedido para deixar o cargo, mas foi convencido pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, a permanecer justamente para evitar que o governo o substituísse pelo delegado Fernando Segóvia, que não teria a mesma conduta da atual cúpula da PF e teria preferência dentro do PMDB.

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Como revelou a Coluna sábado, 4, o nome de Segóvia foi indicado ao presidente Michel Temer pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que é investigado na Operação Lava Jato. A articulação que levou Daiello a aceitar permanecer no cargo era justamente para evitar que um nome ligado a políticos ocupasse a cadeira de diretor-geral. Segóvia também é próximo do ex-senador José Sarney – ele foi superintendente da PF no Maranhão – e do ministro do TCU Augusto Nardes, que o apresentou a Padilha.

O ministro da Justiça não teve qualquer participação na indicação de Segóvia. Mas a nomeação ficará na conta dele, uma vez que aceitou o nome que lhe foi imposto pelo Planalto. Torquato também não conseguiu barrar indicações políticas na Polícia Rodoviária Federal (PRF) e no Cade. Um dos motivos que levaram a queda de Daiello é justamente as tentativas frustradas de que ele aceitasse nomear indicações políticas para superintendências. Respondia sempre que preferia entregar o cargo a aceitar interferências.

Discreto, a única entrevista que Daiello concedeu no cargo foi para o Estado. Na ocasião, a presidente ainda era Dilma Rousseff e vários petistas já estavam na mira da Lava Jato. Na época, ele disse que a PF iria investigar a todos “doa a quem doer”.

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O presidente Michel Temer avisou aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que fará a troca na PF ainda nesta quarta-feira. Os dois também são alvo da Lava Jato.