Aloysio Nunes vai deixar o governo para concorrer à reeleição ao Senado

Aloysio Nunes vai deixar o governo para concorrer à reeleição ao Senado

Data de prévia ainda divide Doria e Alckmin

Vera Rosa

08 Fevereiro 2018 | 20h28

O ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Foto: FERDINANDO RAMOS/ESTADÃO

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, confirmou que vai deixar o governo no fim de março ou início de abril para disputar a reeleição ao Senado. Único integrante do PSDB a permanecer na equipe, Aloysio tem tentado reaproximar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do presidente Michel Temer, que nesta sexta-feira se encontrou com o prefeito João Doria, na capital paulista.

Alckmin é pré-candidato à Presidência e ontem, 7, presidiu a reunião da Executiva Nacional do PSDB, em Brasília, que também contou com a presença de Doria e Aloysio. Por trás da discussão sobre a melhor data para as prévias que devem escolher os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo e ao Palácio do Planalto estão interesses não explicitados.

Sob alegação de que é preciso economizar recursos, Doria pediu que a prévia em São Paulo fosse realizada em 11 de março, no mesmo dia da escolha do candidato tucano à sucessão de Temer. Alckmin, por sua vez, disse ser preciso respeitar a autonomia do partido nos Estados para marcar datas desse tipo.

Na prática, sabe-se que o governador está disposto a sacrificar a candidatura própria do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes — dando um ‘chega pra lá’ em  Doria — para apoiar o lançamento de seu vice, Márcio França (PSB). Trata-se de uma tentativa de fechar aliança nacional com o PSB e aumentar seu tempo de exposição na propaganda eleitoral do rádio e da TV, a partir de 31 de agosto.

Diante do imbróglio, Aloysio tomou a palavra e tentou “traduzir” o que estava em jogo. “Vocês só não estão dizendo aqui que no fim de março tem a desincompatibilização de quem precisa deixar os cargos para se candidatar, além da janela partidária”, afirmou ele, numa referência ao período em que os parlamentares podem trocar de legenda sem o risco de perder o mandato.

Na prática, Doria quer prévia em 11 março para tornar sua candidatura um fato consumado, já que, para sair da Prefeitura, precisa ter a certeza da indicação do PSDB. Na outra ponta, os aliados de Alckmin, que apoiam França, pretendem empurrar a prévia em São Paulo para depois de abril, atrapalhando os planos do prefeito. O prazo estabelecido pela Lei Eleitoral para que pré-candidatos deixem cargos públicos é 7 de abril.

Na primeira segunda-feira após o Carnaval, dia 19, a Executiva do PSDB paulista vai bater o martelo sobre a questão. Promete não ficar em cima do muro.

Até agora, os tucanos decidiram apenas que Aloysio só não disputa o Senado se não quiser, porque uma das duas vagas está reservada para ele. A não ser que mude de ideia, o chanceler vai para o campo de batalha. Mas, por enquanto, a aliança entre o MDB de Temer e o PSDB de Alckmin está cada vez mais difícil.