Gestão do Conhecimento: fazer mais e melhor, o valor agregado com a organização e a colaboração

Humberto Dantas

17 Maio 2018 | 12h16

Autoria: Magda Lisboa é líder MLG e Diretora da Empresa ATTIVA ESTRATÉGIA, tem vasta experiência no setor público e privado.

 

Em 2008, gestão do conhecimento era o tema do momento e me interessei em aprofundar o assunto no curso Master em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial, da COPPE | UFRJ. Experiência muito interessante, pois o trabalho final foi um planejamento estratégico (PE) para a Farmácia de Homeopatia e Manipulação Quintessência, que ganhou em 2009, o Prêmio Sebrae.

Na etapa de “premissas”, quando a metodologia escolhida para o PE realizou o diagnóstico da empresa, os capitais do conhecimento foram mapeados. Este parece um tema muito simples, mas identificar e classificar as informações e conhecimento da empresa, à luz dos capitais do conhecimento, é uma grata surpresa!  E assim foram mapeados os capitais:

Capital Humano – as pessoas e suas competências (CHA), indispensável deste capital, que é o mais valoroso para a organização: resultados, a capacidade, o comportamento, o empenho e o tempo, importância ao alinhamento, a liderança e a capacidade das pessoas como principal ferramenta para transformar os ativos intangíveis em resultados tangíveis. Hoje, o capital humano pode ser definido como o conjunto de pessoas dotadas de características próprias de personalidade, com aspirações, motivações e objetivos pessoais e, acima de tudo, de talentos que precisam ser desenvolvidos e permaneçam nas empresas, para que o conhecimento gerado seja mantido e disseminado.

Capital de Relacionamento – pode ser definido como a rede de conexão de uma empresa com seus clientes, fornecedores, colaboradores, parceiros, governo, entre outros, com o objetivo de estabelecer alianças estratégicas e alcançar o sucesso.

Capital Estrutural – pode ser definido como um conjunto de sistemas: administrativos, modelos, rotinas, marcas, patentes, os contratos e sistemas de informação, o mapa de negócios ou modelo de negócios, o plano estratégico, todo o sistema de gestão e seus artefatos.

Capital Ambiental – todas as regulações do setor, os aspectos legais e governamentais, culturais, os indicadores financeiros podem ser descritos como um fator determinante para o sucesso da empresa, uma vez que o ambiente onde ela se encontra, está sempre mudando.

O fato empírico, de utilizar tal padrão de organização com base nos capitais é contagiante e acredito que as organizações deveriam experimentá-lo, para reconhecê-los e “reutilizar”, ou melhor, “valorizar” e criar novos ciclos de expansão desses capitais.

Os novos ciclos acontecem quando se reutiliza e faz crescer o que se sabe, acrescido do que se aprende e assim surge a espiral de evolução e da inovação, podendo ser mensurada, pois é registrada, conhecida e reutilizada.

Tenho gerenciado projetos em ambientes colaborativos utilizando aplicativos que agilizam imensamente a comunicação e a organização das informações e conhecimento. Ao final do projeto, todo o ambiente de execução e aprendizado fica disponível e deixa claro as lições aprendidas.  Os membros das equipes, diante do ambiente colaborativo e que propicia transparência ao que é realizado, sentem-se comprometidos e à vontade. A produtividade acontece de forma espontânea,

As organizações públicas necessitam investir mais na gestão do conhecimento. As transições de governo não deveriam impactar tanto com a descontinuidade de processos e projetos, considerando que é possível organizar de forma mais perene os capitais do conhecimento, as pessoas, os processos, os sistemas, os stakeholders, os contratos, os planos, os indicadores, etc.

A organização, apoiada pela gestão do conhecimento e com a colaboração dos servidores, cria um repositório vital para a continuidade e reconhecimento das melhores práticas.