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Não, não liga pra ele, não chore por ele

Ana Paula Henkel

09 Abril 2018 | 18h54

Um dos presidentes mais populares da história americana, Franklin Roosevelt, popularizou em 1932 a expressão “o homem esquecido” (the forgotten man). Ainda no começo do que viria a ser a Grande Depressão, FDR apontava para aqueles mais necessitados e que mais precisavam de assistência e solidariedade de todos. O Brasil, como você sabe, não sofre de escassez de homens, mulheres e crianças esquecidas, especialmente neste momento de endeusamento ideológico de criminosos.

Vendo o choro de certa imprensa com a prisão de um ex-presidente condenado por crime comum (corrupção passiva e lavagem de dinheiro), o primeiro de vários processos em andamento, fico me perguntando sobre se as viúvas do petismo pensam ao menos por um instante nas vítimas do projeto de poder e dos crimes do grupo político que sequestrou o Brasil desde 2003.

Numa semana histórica para o Brasil, parte da imprensa, que se escandalizou com um general e suas declarações a favor da democracia e contra a impunidade, tentou empurrar para debaixo do tapete o vandalismo de militantes petistas que atacaram o prédio da presidente da Suprema Corte do país enquanto noticiavam exaustivamente sobre os tiros, até hoje sem maiores explicações, na caravana do mais novo inquilino na Polícia Federal. Pesos e medidas.

Jornalistas foram covardemente atacados por petistas e, por sorte ninguém se encontra no hospital em estado grave como o homem que também foi atacado por um ex-vereador do partido. Enquanto o vandalismo vermelho corrida solto, militantes das redações esperneavam contra a prisão e exibiam uma foto do showmissa de sábado como “simbólica”. É assim que se conhece a lente de muito jornalista.

A verdade é que os culpados por mais de 10 milhões de desempregados, pela dor dos familiares das 60 mil vítimas anuais da violência, não podem mais ser escondidos do noticiário e da opinião pública. O chamado para a verdade, nua e crua, sem jingles, microfones, palanques ou imagens glorificadas apenas em colunas e textos dos companheiros, hoje é feita pelo povo nas ruas e nas mídias alternativas. As redes sociais são uma ameaça ao socialismo e eles sabem disso.

Os brasileiros do dia a dia que mantém o Brasil rodando, esquecidos por certa elite, intelectuais radicalizados, jornalistas, sindicalistas e militantes, são aqueles que, ao som de Leandro e Leonardo, cantavam: “em vez de você ficar pensando nele / em vez de você viver chorando por ele / pense em mim, chore por mim / liga pra mim, não, não liga pra ele / Não chore por ele!” É hora de engolir o choro e ter uma conversa honesta com o Brasil roubado, espoliado e tosquiado por uma “sofisticada organização criminosa” que por pouco não matou o paciente enquanto tirava seu sangue. Ideologia mata e estamos cansados de mortes que poderiam ser evitadas.

Ah, aquela quinta-feira, onde tudo começou. Cinquenta e cinco dos oitenta e um senadores votaram pelo afastamento de Dilma Rousseff da presidência em 12 de maio de 2016. Era a nossa queda do Muro de Berlim, a oportunidade de mostrar ao Brasil sem eufemismos, meias-palavras e dissimulações, a caixa-preta de treze anos de um projeto cleptomaníaco de poder que deixava uma terra arrasada como legado. A prisão de Lula é mais um, e um dos mais importantes, capítulos desta história. É motivo de festa e não de choro. O judiciário, a polícia e o Ministério Público estão ajudando a virar essa página, mas é o povo, longe das imagens tratadas e das lágrimas das viúvas de Lula, que tem uma oportunidade única de ditar o rumo do país.

Quando Lula diz que é “uma ideia”, ele tem razão. Lula passa, as idéias bolivarianas ficam num dos países que mais sofrem com o intervencionismo econômico, o dirigismo e as feitiçarias políticas. Lula, que já colocou praticamente toda a classe artística do Leblon para cantar seu jingle de campanha em 1989, reuniu no último sábado apenas um punhado de refugos do petismo. Sua decadência é mais que evidente, mesmo na esquerda caviar que já migrou alegremente para o PSOL. Agora é preciso vencer o “mecanismo” que coloca o Brasil na ultra-vergonhosa 153a posição em liberdade econômica no mundo, a verdadeira raiz do nosso atraso e da miséria da população. A luta continua, companheiros.

Quando o Cessna Caravan com o ex-presidente condenado decolou do aeroporto de Congonhas na noite do último sábado com destino ao Paraná, muitos brasileiros que foram esquecidos em nome do petismo nos últimos anos devem ter cantado “vamos pegar o primeiro avião / com destino à felicidade” para depois fechar com o eterno refrão “liga pra mim, não, não liga pra ele! Não chore por ele!” Entre tapas e beijos, avançamos.