Poupança: pior rendimento desde 2004

Economia em alta e inflação controlada transformaram a caderneta de poupança em um investimento pouco atrativo. O rendimento real da modalidade em 2010, ajustado pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é o mais baixo desde 2004, segundo dados divulgados ontem pela consultoria Economática

Marcelo Moreira

30 Dezembro 2010 | 08h56

Marília Almeida

Economia em alta e inflação controlada transformaram a caderneta de poupança em um investimento pouco atrativo. O rendimento real da modalidade em 2010, ajustado pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é o mais baixo desde 2004, segundo dados divulgados ontem pela consultoria Economática.

A rentabilidade no ano até o mês de novembro foi de 1,57%. Até então, o menor ganho – já com o ajuste da inflação –tinha sido registrado em 2004, quando o poupador obteve 0,46% acima da inflação. Em 2002, houve perda de 2,9 %, quando a inflação foi maior do que o ganho da poupança.

Já a rentabilidade anual do investimento sem contar com o ajuste da inflação atingiu 6,9% neste ano – o menor índice desde 1967, início da série histórica. Anteriormente, 2009 havia registrado a taxa mais baixa neste quesito, quando o poupador obteve ganho de 7,05%. Os índices anuais de 2007, 2008 e 2004 também estão entre os mais baixos do período.

A poupança tem dois componentes: uma taxa fixa e a Taxa Referencial (TR). A TR é uma média da taxa de Certificado de Depósito Bancário (CDB) de 30 dias dos principais bancos, que está atrelada à taxa básica de juros (Selic), enquanto a taxa fixa, chamada de redutor, é um porcentual definido pelo governo.

A tendência de alta da Selic, que teve aumento de dois pontos porcentuais em 2010, acaba tendo pouco impacto no rendimento da poupança, justamente porque há a incidência desse redutor.

Para o consultor de finanças pessoais Alexandre Assaf, isso acaba afastando a rentabilidade da poupança de outras aplicações. “A diferença deveria ser de 20%, mas, comparada com títulos de baixo custo, que estão pagando em torno de 9% ao ano, acaba sendo de, no mínimo, 25%.”

Porém, ele recomenda ao poupador não migrar o valor investido para outra aplicação, mas diversificar a carteira caso queira ter uma maior rentabilidade.

“O lado positivo de ter dinheiro aplicado na poupança é ter liquidez a qualquer momento. Aplicar e resgatar é simples. O Tesouro Direto é uma opção que compensa a partir de R$ 10 mil investidos.”

Para comprar títulos do governo federal, é necessário conhecimentos de internet, já que as operações são feitas por um sistema online. Além disso, é necessário conhecer prazos e condições de resgate dos papéis.

Fundos de renda fixa também exigem cuidados. Além do pagamento de 15% destinado ao Imposto de Renda, têm taxas administrativas e de desempenho que podem diminuir a rentabilidade.

Sílvio Hilgert, diretor acadêmico da XP Educação, recomenda títulos pré-fixados do Tesouro, que chegam a render até 12% ao ano. “Há a possibilidade da Selic subir nos próximos meses. Boa parte deles são atrelados à taxa.”

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