Médicos apontam os piores convênios

Pesquisa divulgada ontem revela quais são os piores planos de saúde na opinião dos médicos credenciados. Mais de 90% dos 2.184 entrevistados em todo o País disseram sofrer interferência das operadoras em sua autonomia profissional

Marcelo Moreira

02 Dezembro 2010 | 08h07

Karina Toledo

Pesquisa divulgada ontem revela quais são os piores planos de saúde na opinião dos médicos credenciados. Mais de 90% dos 2.184 entrevistados em todo o País disseram sofrer interferência das operadoras em sua autonomia profissional. Entre os principais problemas estão a recusa de pagamento de consultas e procedimentos realizados (78%), pressão para reduzir o número de exames (75%) e restrições a doenças pré-existentes (70%).

O levantamento foi feito pelo Datafolha a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) com médicos que tenham trabalhado com, no mínimo, três planos ou seguros saúde nos últimos cinco anos.

Citada em todas as sete categorias, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) se destacou como a operadora que mais interfere na autonomia do médico. A Amil, mencionada em cinco aspectos, é a segunda marca com maior presença.

 Bradesco Saúde é lembrado entre os planos que mais interferem em período de internação pré-operatório, restrições para doenças pré-existentes e atos diagnósticos e terapêuticos mediante a designação de auditores. A Sul América está na primeira posição em recusa de pagamento de procedimentos, ao lado de Cassi e Amil.

Tendo como referência uma escala de zero a dez, os médicos atribuíram, em média, nota 5 para as operadoras. Os resultados das pesquisas e a mobilização de diversas especialidades médicas – como ginecologistas, anestesistas e angiologistas – para reivindicar reajustes na remuneração paga aos médicos são sinais de que o sistema de saúde suplementar está entrando em colapso, diz Jorge Curi, presidente da APM.

“Criou-se a prática da consulta rápida. Como o médico não conversa direito com o paciente, precisa pedir mais exames. O paciente não se sente acolhido e procura outro médico e faz nova consulta. Isso tudo eleva o custo do sistema e diminui a resolutividade. Muitas vezes, o paciente acaba tendo de recorrer ao Sistema Único de Saúde”, avalia Curi.

A solução apontada tanto por Curi quanto por Aloísio Tibiriça, do Conselho Federal de Medicina, é uma revisão na legislação que regulamenta o setor de forma a dar poderes à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para modular a relação entre as operadoras e seus prestadores de serviço. Hoje a agência interfere apenas na relação da empresas com os consumidores.