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Marcelo Moreira

26 Março 2009 | 22h36

PAULO DARCIE – JORNAL DA TARDE

Em janeiro, 70% das faturas de cartões de crédito foram pagas em dia, enquanto apenas 30% das dívidas foram atrasadas ou “roladas” para o mês seguinte, para serem pagas com juros.

Os números são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que vê o indicador como sinal de amadurecimento do consumidor: dois anos antes, a fração das operações que “fugiram” dos juros era de 50%.

Segundo o diretor de comunicação da entidade, Marcelo Noronha, esses 70% correspondem às compras que foram pagas dentro do prazo de 30 dias sem juros do cartão ou na modalidade a prazo sem juros que as empresas emissoras de cartões de crédito tinham para receber naquele mês. “Essa parcela dos consumidores aprendeu a aproveitar as oportunidades de lidar com o cartão e já evita os juros”, diz ele.

Entre setembro de 2008 e janeiro de 2009, o mercado de cartões de crédito acompanhou a desaceleração do mercado interno brasileiro, e o volume negociado com cartões cresceu menos do que o esperado.

A pisada no freio não chega a preocupar, diz Noronha, para quem o País está em fase de transição do cheque para o dinheiro de plástico. O volume negociado via cartões, nos oito primeiros meses de 2008, chegou a crescer 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já em setembro foram R$ 184 milhões, valor 17% maior do que no mesmo mês de 2007; em outubro foram 197 milhões, 18% a mais; novembro 192 milhões, crescimento de 15%; e em dezembro, 220 milhões, 13% a mais do que em igual período do ano anterior.

Na esteira do crescimento do setor, o número de cartões emitidos mensalmente não diminuiu depois da explosão da crise: foram 2 milhões por mês no último quadrimestre do ano passado e em janeiro de 2009, quando 126 milhões de cartões circulavam no País.

O ritmo de crescimento foi o mesmo entre setembro de 2007 e janeiro de 2008: no período, o número de unidades foi de 98 milhões para 106 milhões.

Segundo o presidente da Brazilian Business School, John Schulz, a dificuldade de se obter crédito no mercado pode ter incentivado o brasileiro recorrer ao cartão. “Falta crédito vindo de outra fonte. O cartão pode ser uma boa opção para ganhar alguns dias de prazo a custo zero, ou até parcelar as compras”, afirma ele.

Bola de neve

O cartão de crédito pode ser uma boa ferramenta, desde que usado com disciplina. “Não compensa se o usuário atrasar a fatura e cair nos juros”, afirma o professor da Faculdade Trevisan Alcides Leite.

Segundo ele, é importante que o usuário esteja ciente de que o preço da fatura deve caber no orçamento mensal. “Se atrasar e tiver que pagar juros, pode entrar em uma bola de neve. O cartão não pode servir para dar a impressão de crédito a mais”, alerta.

O médico Gustavo Campanholi prefere não correr o risco de ser vítima da desorganização, e criou uma regra para o uso do cartão. “Só uso para comprar bens extras e encher o tanque do carro.”

As faturas de seus dois cartões, de bandeiras diferentes, vencem no mesmo dia para, diz ele, tomar uma só “pancada” por mês. A prazo, nem pensar. “Dá desespero quando a fatura mostra que está na terceira de 12 parcelas.” [

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