Celular terá um número a mais

No prazo de 24 meses, os números de telefones celulares de São Paulo terão mais um dígito. O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou ontem a implantação dessa medida

Marcelo Moreira

13 Dezembro 2010 | 17h18

do Jornal da Tarde

No prazo de 24 meses, os números de telefones celulares de São Paulo terão mais um dígito. O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou ontem a implantação dessa medida.

O dígito extra vai permitir a utilização de 370 milhões de números a mais para habilitação de novas linhas de celulares para o código de área 11. Assim, os celulares que hoje têm oito dígitos passarão a ter nove, com um novo número à esquerda.

Com a mudança, a Anatel desistiu da ideia de criar o código 10, sobreposto ao código 11, para resolver o problema da falta de combinações para telefones celulares em São Paulo.

Para suprir a demanda por números antes dos 24 meses em que será implantado o nono dígito, a Anatel tomará algumas medidas. A principal delas, segundo o conselheiro João Rezende, é a redução pela metade da quarentena imposta às empresas para que liberem os números cancelados pelos clientes. Hoje o prazo para a empresa voltar a usar o número cancelado é de 180 dias. Com as novas regras, a quarentena será de 90 dias.

Outra medida é a possibilidade de usar o prefixo 5, hoje destinado para a telefonia fixa em São Paulo, para a móvel. Isso deve ampliar em 6,9 milhões as combinações disponíveis à telefonia móvel.

Além disso, há também a possibilidade de se adotar um sistema diferente para a numeração dos modems de banda larga 3G, que hoje usam números de celular.

O conselheiro explicou que, com a liberação da banda H, que é a última faixa de frequência do 3G, São Paulo terá uma demanda de mais de 7 milhões de números em 2011 e 2012 e que essas medidas preliminares buscam solucionar o problema enquanto o nono dígito não é implantado. “Não pode haver apagão de números em São Paulo”, disse Rezende.

Num dos últimos relatórios divulgados pela Anatel este ano, a disponibilidade numérica na região metropolitana de São Paulo girava em torno de 37 milhões de celulares – número que estava prestes a ser alcançado por conta do ritmo de expansão das novas linhas de telefonia móvel no País e nessa região.

Em outubro de 2010, o País alcançou a marca de 194,4 milhões de celulares, ultrapassando o número de habitantes. “Mais cedo ou mais tarde teríamos de fazer esse acréscimo de dígito porque o crescimento é muito grande”, disse o consultor Eduardo Tude, da Teleco.