Bancos vão repassar nova alta da Selic, aposta Procon

A técnica da Fundação Procon, Cristina Rafael Martinussi, acredita que os bancos repassarão para seus produtos um eventual aumento da taxa Selic, o que pode acontecer no início de 2011. Na segunda-feira, a entidade divulgou sua pesquisa anual de juros que apontou altas das taxas entre janeiro e dezembro

Marcelo Moreira

28 Dezembro 2010 | 15h57

Marília Almeida

A técnica da Fundação Procon, Cristina Rafael Martinussi, acredita que os bancos repassarão para seus produtos um eventual aumento da taxa Selic, o que pode acontecer no início de 2011. Na segunda-feira, a entidade divulgou sua pesquisa anual de juros que apontou altas das taxas entre janeiro e dezembro.

“Ao contrário de 2009, quando estavam em queda, este ano as taxas ficaram estáveis até  julho, quando repassaram os reajustes da taxa Selic. Se houver outro aumento, que está previsto para o início do ano, elas vão ficar ainda mais caras”, analisa Cristina. Este ano, a Selic foi reajustada em 2 pontos porcentuais, de 8,75% para 10,75%.

A técnica do Procon Cristina Rafael Martinussi aponta que, apesar da alta em dezembro com relação a janeiro, a taxa de juros dos bancos nas linhas de crédito pessoal e cheque especial recuou na média anual com relação ao ano passado de 5,49% para 5,26% no crédito pessoal e de 8,93% para 8,88% no cheque especial.

A pesquisa do Procon, divulgada ontem, também aponta que há diferença de taxas praticadas por cada banco. Portanto, vale pesquisar as linhas de crédito disponíveis em cada banco. “As diferenças são significativas para o consumidor. O levantamento considera apenas as taxas máximas pré-fixadas. Portanto, as diferenças podem ser ainda maiores”, diz Cristina.

Ela recomenda optar por modalidades com juros mais baixos, como o crédito consignado, e fugir do cheque especial. Além disso, aconselha planejar gastos e evitar empréstimos, já que a tendência é que fiquem mais caros.

O Santander reforça, em nota, que, no caso do cheque especial, seus clientes possuem dez dias sem juros. Além disso, aqueles que não conseguirem cobrir seu crédito neste período podem parcelar o saldo devedor por metade da taxa.

Para o crédito parcelado, o Santander chama a atenção para as taxas médias registradas no Banco Central, que levam em consideração o total de clientes tomadores de crédito dos bancos e que, no caso do Santander, são menores do que as apontadas pela pesquisa do Procon, feita com base em um perfil de clientes. Nesse ranking do Banco Central, a instituição registra uma taxa média de 3,20% ao mês.

Procurados pela reportagem, os outros bancos mencionados na pesquisa não quiseram se posicionar.

Pesquisa

Seguindo os reajustes da taxa básica de juros (Selic), os bancos aumentaram as taxas de suas linhas de crédito pessoal e cheque especial este ano em até 0.80 ponto porcentual, de acordo com o levantamento do Procon. A maior alta foi verificada na taxa de empréstimo pessoal praticada pelo Banco do Brasil, que subiu de 4,48% em janeiro para 5,28% em dezembro.

Entre os bancos há variações de até 1.72 ponto porcentual no empréstimo pessoal. A taxa mais alta, de 6,02%, é cobrada pelo Itaú, enquanto a Caixa Econômica Federal tem a taxa mais baixa: 4,30%.

No cheque especial a diferença entre os bancos é ainda maior: até 2.51 pontos porcentuais. O Santander tem a maior taxa, de 9,66%, enquanto a Caixa tem a mais barata: 7,15%.

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