Aviação: Justiça barra abuso em cobrança de taxa de remarcação

Marcelo Moreira

14 Agosto 2012 | 08h03

NATALY COSTA

A Justiça Federal vai multar em R$ 100 mil as companhias aéreas que cobrarem mais de 10% do valor da passagem em casos de remarcação ou cancelamento de voo. Se o passageiro quiser mudar uma viagem com mais de 15 dias de antecedência, a cobrança só deve ser de 5%. A decisão vale para TAM e Gol, que, juntas, detêm 75% do mercado nacional.

A ação civil pública, ajuizada em 2011 e com pedido de execução em março deste ano, é de autoria do Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Por isso só foram citadas companhias que operam nos aeroportos daquele Estado. Além de TAM e Gol, a decisão valeria também para Cruiser, TAF e Total, mas essas empresas deixaram de operar voos regulares.

O teto de 10% do valor do bilhete para as taxas de cancelamento ou remarcação vale desde agosto do ano passado, mas as empresas jamais seguiram a ordem judicial. Por isso, a decisão de multá-las em R$ 100 mil pelo descumprimento. TAM e Gol ainda têm 15 dias para “comprovar documentalmente” à Justiça que se adaptaram à regra.


Questionadas, as duas companhias informaram que só se manifestariam na Justiça. Ambas já recorreram da decisão de 2011. “O recurso, porém, não teve efeito suspensivo. Portanto, enquanto não é julgado, ainda vale a limitação de cobrança, mas elas não estavam cumprindo”, explica o procurador da República Bruno Soares Valente.

Alto custo

Segundo Valente, o MPF constatou, baseado em denúncias de consumidores, que as taxas cobradas pelas companhias chegam a 80% do valor da passagem.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), porém, mostra que as taxas podem custar mais do o valor pago pelo bilhete e que a diferença chega até 252,80%.

Em geral, TAM e Gol cobram uma taxa inicial de R$ 80 por remarcação de voo doméstico, mais a diferença da tarifa. Se uma passagem foi comprada com antecedência por R$ 100 e, hoje, o mesmo voo custa R$ 150, o passageiro tem de pagar os R$ 80 da remarcação mais os R$ 50 de diferença de tarifa, o que já extrapola o valor inicial do bilhete.

As empresas cobram também uma taxa de reembolso que varia de acordo com a tarifa. Quanto mais barata a passagem, menos flexibilidade o passageiro tem para mudar de ideia.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirma que a resolução que determina as taxas para cancelamento e devolução do dinheiro está sendo revista.

Mais conteúdo sobre:

AnacGolTAM