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Plenário da Câmara vota pacote anticorrupção

Deputados articulam a inclusão no projeto de medidas polêmicas como a punição por crime de responsabilidade para magistrados; anistia ao caixa 2 pode ser descartada

Apesar do luto oficial decretado por conta do acidente aéreo envolvendo a equipe do Chapecoense, a votação do pacote das medidas anticorrupção está mantida na Câmara dos Deputados. Alguns deputados chegaram a afirmar que não haveria clima para manter a pauta legislativa após a tragédia, outros parlamentares, porém, seguem articulando mudanças no projeto e a votação está mantida.

Após o Palácio do Planalto se posicionar publicamente contra a anistia à prática do caixa 2, no domingo, 27, a avaliação de líderes da base do governo é que não há clima político para incluir a proposta no pacote anticorrupção previsto para ser votado na Câmara nesta terça-feira.

Apesar de diferentes redações sobre uma suposta emenda terem surgido na última semana, o discurso adotado pelos deputados é que eles nunca participaram de articulações para dar uma espécie de salvo conduto para os políticos que usaram recursos não contabilizados ou ilegais durante campanhas eleitorais.

"Desconheço que uma emenda seria apresentada nesse sentido", disse o líder do governo na câmara, André Moura (PSC-SE). "Não acredito que essa proposta (da anistia ao caixa 2) vá aparecer no plenário e, se aparecer, deve ser derrotada", disse o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM).

Relator do pacote, Lorenzoni elogiou a ação do governo e da cúpula do Congresso de rechaçarem qualquer tentativa de anistia ao crime de caixa 2, mas disse estar preocupado com a possibilidade de o projeto ser desconfigurado no plenário. Para ele, a questão da inclusão no texto do crime de responsabilidade para magistrados e membros do Ministério Público "vai ser o centro do debate" na votação desta terça.

Ciente do descontentamento dos seus colegas em relação ao seu parecer, Lorenzoni também não descartou a possibilidade de haver uma eventual troca de relator no plenário. "Ninguém garante que eu seja o relator. Não há essa obrigatoriedade", afirmou. (Isadora Peron e Daiene Cardoso; colaborou Júlia Lindner)




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